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29.9.10

Ensino religioso e pedofilia: as duas faces de uma mesma moeda... furada.




Há alguns dias, um jovenzinho que não deve ter nem 12 anos de idade resolveu postar no Orkut um desses scraps coletivos que o site de relacionamento agora permite. O jovenzinho em questão é aluno da escola onde trabalho: um amor de criança, diga-se de passagem. Mas causou-me profunda irritação o scrap coletivo que ele veiculava a seus amigos de Orkut. Tratava-se de uma mensagem que anda circulando pela internet na forma de e-mails e mensagens em sites de relacionamento onde se afirma que a candidata Dilma Rousseff não só seria a favor do aborto e do casamento entre homossexuais, como também estaria aliada a satanistas representados na figura de seu vice, Michel Temer. O texto que faz ameaças aos evangélicos caso a Dilma seja eleita, obviamente se trata de uma campanha apócrifa e sem fundamento algum. E isso, realmente, é o menos relevante: às vésperas de eleições, campanhas desse tipo sempre apareceram. O que realmente me preocupa, e muito, foi a veemência com que um garoto nessa idade tentava argumentar comigo que aquela mensagem que ele repassava tratava-se da mais pura verdade. Pois, muito provavelmente, assim esta lhe teria sido passada por algum adulto de sua confiança que professa sua mesma fé evangélica.

Isso me faz voltar a um tema de que já tratei aqui neste blog numa postagem anterior intitulada "Provavelmente não há Deus. Então pare de se preocupar e aproveite a sua vida". Nessa postagem eu alertava para o perigo da nefasta lavagem cerebral que as seitas evangélicas têm se empenhado em exercer nas crianças e adolescentes. Muitas vezes se apropriando até mesmo de elementos da cultura dessa faixa etária para alcançarem seus objetivos, como os ritmos musicais do funk e do rock, o RPG, as HQ’s, etc. Isso a que as igrejas (não só as evangélicas, mas a católica também e todas as outras religiões) costumam chamar de fé, eu costumo denominar “cegueira”. E essa cegueira – consequência, obviamente, de séculos de cultura – só tende a se agravar quando combinada com a profunda lavagem cerebral que se faz na cabeça dos jovens desde cedo. Nos templos e nas igrejas, assim como no seio das famílias, ensina-se desde cedo à criança a não pensar: esse “não pensar” entendido como uma prática pedagógica e de costumes que levaria a não questionar os desígnios de deus. E por que eu falo em prática pedagógica logo vocês irão entender.

Acredito que esse processo de não pensar chamado “fé” não é o caminho para o entendimento do mundo, mas sim está em oposição fundamental à ciência moderna e ao método científico, e é sectarista e perigoso. Pois o grande problema não é a fé ou a crença, mas sim a cegueira a que se condenam os jovens, possíveis repetidores (ou “multiplicadores”, para usar uma terminologia da Didática). Jovens esses que, assim como os adultos de seu círculo de convivência, chegam à conclusão de que eles (e apenas eles) estão certos, o resto do mundo errado; e que, destruindo as outras crenças (ou a ausência delas) poderão tornar o mundo um lugar melhor.

Num documentário do escritor Richard Dawkins, autor de Deus: um delírio, chamado “The Virus of Faith” (O Vírus da Fé), é mostrado como a religião se espalha como um vírus e se fixa nos jovens antes mesmo de eles terem capacidade de chegar a uma conclusão por si mesmos, simplesmente por uma tradição familiar já existente. O ensino religioso, segundo Dawkins, representa uma vertente de grande parte das escolas em países como a Inglaterra, por exemplo, citada no documentário.

Não só na Inglaterra, mas também no Brasil há vários colégios particulares reservados aos religiosos cristãos, que instituíram o ensino religioso lado a lado com o ensino científico. Neste tipo de ensino, o criacionismo é tratado como uma ciência – ou seja, algo de fundamento e comprovado cientificamente – e ensinado antes do evolucionismo de Darwin e de outras teorias importantes para a criação do pensamento científico.

Essa é uma prática pedagógica grave e perniciosa. Chegar ao ponto de apresentar teorias religiosas – que são dúbias e mudam conforme a crença de cada um – como formação científica comprovada é um dos jogos mais sujos de que as instituições religiosas poderiam lançar mão. Não é uma aula sobre Teologia, onde alguém a separa da Ciência e mostra as diversas crenças existentes - algo que seria interessantíssimo do ponto de vista sociológico para mostrar mais sobre a cultura de alguns povos. Associado à História e aos estudos da Sociologia, o ensino religioso por essa ótica faria até muito sentido, principalmente se tratado de maneira crítica.

Essas instituições, porém, querem apenas vender a ideia de que seu homenzinho imaginário é o verdadeiro e deve ser cultuado. Onde está a verdadeira educação nisto? Onde estão os verdadeiros cientistas, os verdadeiros professores? Eu sempre achei que os professores e as instituições educacionais tinham como principal objetivo informar e passar o conhecimento adiante, e não formar opinião na mente de jovens que não estão ainda preparados para fazer suas próprias escolhas. Vende-se como ensino fundamental uma ideologia, um processo de educação totalmente parcial, pois se ensina primeiro a sua religião, não se ensina as outras e ainda transforma o evolucionismo científico de Darwin em algo secundário e desprovido de fundamentação científica.

Há também a questão da ética nisso tudo. E os professores que atuam nessas escolas devem ter também a mesma religião para assimilar todo o ensino “teológico” que será repassado aos alunos? E um aluno que não queira ter ensino religioso pode se recusar a assistir às aulas? Será que ele será tratado de maneira igual pelos outros alunos e pelos professores? Mas então alguém poderia argumentar que, por se tratar de uma escola católica ou presbiteriana ou judaica, se você não é da religião, por que iria matricular seus filhos lá. Opa! Mas agora as escolas são instituições de ensino separatistas? Devemos agora entrar em uma escola apenas se ela for da mesma religião que a nossa?

Apesar de ateu, não entendo o ensino religioso como um risco realmente, mas talvez se torne a curto prazo uma forma de desrespeito à crença dos outros ou à religião (ou à não-religião) dos profissionais de ensino. Algo nisso tudo me apavora muito mais: o separatismo que este tipo de método de ensino pode causar na nossa população a médio e longo prazo, o risco que o país se transforme numa nova Irlanda.

Tive uma infância boa, como toda criança deveria ter, passada na rua nas brincadeiras de moleque que hoje tendem a desaparecer. Menino de subúrbio, o contato com a rua e com os vizinhos fazia bem para os meninos da minha época, que desde cedo aprendiam a se relacionar com outras pessoas fora do círculo familiar. Isso ainda é bem comum em algumas cidades do Brasil, principalmente nos subúrbios e no interior. Mas, cada dia mais, as pessoas nas grandes cidades estão vivendo em apartamentos, que oferecem mais segurança e ao mesmo tempo distanciam as pessoas que, com toda a correria de uma metrópole, sequer conhecem direito seus vizinhos. Uma criança que é criada em apartamento nas grandes cidades, não raro, não tem muitos amigos no local onde mora. O relacionamento com outras crianças, fora os familiares mais próximos, fica a cargo da igreja que a mãe e o pai frequentam e da escola onde estuda.

Na igreja uma criança somente poderá se relacionar com seus pares, ou seja, outras crianças que partilham da mesma religião que ela. A escola para esses jovens se torna um escape, um lugar onde ela irá se relacionar com crianças das mais diferentes crenças e tipos. Alguns mais pobres, outros mais ricos, religiões diversas, negros, brancos, orientais, etc. Com o aumento das escolas religiosas no país, criaríamos uma verdadeira separação. Católicos, evangélicos, judeus, cada um em sua escola. Isso, somado a uma educação cada vez mais distante e despreparada dos pais e à maneira como nossa sociedade já desrespeita a crença dos outros, onde iremos chegar daqui 20 ou 30 anos?

Não devemos esquecer que o medo do desconhecido e ódio ao diferente é o que nutre o crescimento dos fundamentalistas religiosos. Criar nossos jovens sem que eles tenham contato com pessoas diferentes na escola pode resultar em algo muito maior do que apenas uma falha na liberdade de escolha das crianças. Talvez esse seja o maior preço que tenhamos que pagar por tratar o ensino e a educação como uma moeda de troca e mais uma estratégia do marketing furado religioso.

Além de discordar deste ensino religioso tendencioso das escolas particulares, também discordo plenamente do ensino religioso que se quer para as escolas públicas; onde, dizem, tentariam aliar o ensino religioso ao respeito às outras pessoas (hilário esse argumento!), à disciplina e à disposição para aprendizagem - como se um ateu não pudesse desenvolver essas qualidades.

Por fim, algo que talvez escape ao entendimento de muitas pessoas nessa questão toda é a fragilidade das mentes de crianças e jovens. E, por isso, eu alerto sobre o caráter pernicioso da lavagem cerebral que as religiões tendem a fazer nesse grupo. Eu ouso comparar o perigo dessa lavagem cerebral ao que modernamente se convencionou rotular como o mais abjeto e repugnante dos delitos: a pedofilia. A justificativa (bastante justa, sem sombra de dúvida) para tal rotulação advém dos estudos da Psicologia, segundo a qual crianças de 6 a 10 anos encontram-se numa fase chamada "latência"; ou seja, é um período de reorganização e preparo para a puberdade e uma posterior vida adulta saudável do ponto de vista mental. A estimulação e exposição precoce ao erotismo levaria a criança a se lançar na vida sexual ativa sem a devida preparação.

E aqui eu coloco a pergunta: a exposição precoce a conceitos religiosos, nessa fase da vida, não seria também uma violência à criança? Estaria ela realmente preparada para portar antolhos já nessa idade? Com que direito os adultos, pais e educadores, decidem pela religiosidade ou não de uma criança? Richard Dawkins, em Deus: um delírio, chama a atenção para isso quando questiona: “nunca me canso de chamar a atenção para a aceitação tácita, por parte da sociedade, da rotulação de crianças pequenas com as opiniões de seus pais. Os ateus precisam se conscientizar da anomalia: a opinião religiosa é o tipo de opinião dos pais que - por consenso quase universal - pode ser colada em crianças que, na verdade, são pequenas demais para saber qual é a sua opinião. Não existe criança cristã: só filhos de pais cristãos.”

17.7.10

CAMPANHA PELA VIDA: Eu cuido da minha, você cuida da sua!



"Compensando a anatomia, o povo fala sem ter dó
São dois olhos, dois ouvidos, mas a boca é uma só
E fala, o povo fala mesmo

O povo fala, o povo fala mesmo"

(Ana Carolina)



A ideia desta campanha não foi minha. Ela já rola pela internet faz tempo. Mas, muito embora seja uma campanha que aponte humanisticamente para atitudes nobres, fidalgas e dignas, não logrou surtir efeitos mais abrangentes. Há que se considerar, infelizmente, que a internet nunca foi campo fértil para se estimularem atitudes nobres, fidalgas e dignas...

De qualquer maneira, cá estou: mais um a se apropriar da boa intenção da campanha e tentar fazer a minha parte. Quem sabe um ou dois leitores desse ilustre desconhecido blog decida pôr em prática a ideia: reproduzir em bottons, camisetas, capas de caderno, outdoors... sei lá, algo que chame à atenção as cabecinhas mais toscas e limitadas.

Já perdi algum tempo aqui mesmo neste blog alertando para o perigo viciante que consiste em se dedicar à vida alheia. Numa postagem de 07/01/2007 intitulada “Alteridades”, eu já tinha cantado essa pedra. No texto cito, inclusive, um pequeno diálogo de autoria desconhecida para mostrar que, geralmente, a falha ou a falta que apontamos nos outros são nossas próprias falhas ou faltas projetadas. Ou, como diria Sartre, em uma de suas frases magistrais (e minha preferida) na peça Huis Clos, “l’enfer, c’est les autres” (“O inferno são os outros”). Transcrevo aqui o diálogo citado na postagem de 2007:



Olhar o defeito do outro

A mulher olhou através da sua janela, apontou para o quintal da vizinha e disse ao marido:
- Há dias venho observando como é encardida a roupa da vizinha. Eu teria vergonha de pendura no varal uma roupa tão mal lavada. Isso é relaxamento, um desleixo... Na verdade, acho que é preguiça.
O tempo passava... e, cada vez que ela voltava a observar, as roupas tinham um aspecto pior. Certo dia, uma surpresa! Ao reparar nas roupas da vizinha, ficou abismada. Estavam brancas, limpinhas, as cores vivas.
- Criou vergonha, disse ela. Perdeu a preguiça e esfregou mais, ou então trocou a marca do sabão.
- Nada disso, replicou o marido. Fui eu que lavei.
- Lavou a roupa da vizinha?
- Não, mulher. Lavei o vidro da janela. Era ele que estava encardido.



Há também uma outra postagem de 12/07/2007 intitulada “Contra a maledicência e o sarcasmo, use a abundância de ideias, de amores e de risos”, onde pego mais leve com os fofoqueiros e até revelo uma certa complacência paciente e alguma generosidade. Algo realmente espantoso para minha natureza cáustica e cínica!

O fato é que não há como ser complacente nem generoso com os fofoqueiros e maledicentes de plantão. E essa é a uma grande verdade. Para eles, de agora em diante, limito-me a proferir em alto e bom som um grande F.O.D.A.-S.E.

E digo mais: pelo que observo nos fofoqueiros e maledicentes que me rodeiam, cada vez mais me convenço de que a origem e motivo desencadeador dessa prática mesquinha só pode residir numa puta falta de sexo de qualidade. Pessoas que não trepam com frequência, ou trepam sem tesão, costumam dedicar boa parte de suas vidas a tomar conta da vida alheia. É sintomático isso. Prestem atenção na cara dos fofoqueiros: a pele é feia, sem viço, o sorriso é raro. E isso não tem nada a ver com o fato de, na maioria das vezes, tratarem-se de baiacus ou barangas. Não, não é a ausência de beleza exterior que condena essas pessoas a uma aridez sexual, mas sim de uma beleza interna que elas mesmas nunca conseguirão experienciar; porque seus corações e almas são assombrosamente medonhos, verdadeiros retratos de Dorian Gray. Essas pessoas são como aquelas retratadas no “Blues da piedade” de Cazuza, sem tirar nem pôr:


“Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada”


E agora, para os fofoqueiros e fofoqueiras: limitem-se a buscar suas satisfações (não só as sexuais) perdidas há tempos e larguem do meu pé! Porque eu, caros maledicentes de plantão, estou cagando para todos vocês. Porque tenho como missão justamente isso: incomodar todos vocês, chocar, escandalizar, perceber o mal-estar de vocês diante da minha cagada homérica no centro de suas salas assepticamente arrumadas e sem vida. Portanto, trepem mais... e fofoquem menos!




PARES CUM PARIBUS CONGREGANTUR


Quando nasci
não nasci torto
nem feio.
Como bom leonino
saltei na vida
e pedi a palavra
— Gauches são vocês, meus caros!

Onomástico sete
cabra no chinês
elemento fogo
incomodo antes
por ideologia
depois por aparecer.

Que me juntem aos pares
que me apontem na rua
que me lancem maldição!...
mas não me peçam
moderação ou paciência.

Não serei menor que meu mundo,
meu tempo, minha boca.
E além do mais
acredito na possibilidade
de se recuperarem os povos.

Fujo do igual
e no diferente
me encontro com o igual.

Vão lá vocês entender isso!

(Edmilson Borret)

22.6.10

Os medos do mundo são tantos...


“Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.”

(Oswaldo Montenegro)



Há quem diga que no mundo existem só dois tipos de pessoas: as corajosas e as medíocres. Maniqueísmos à parte, talvez haja na afirmação alguma verdade. O que me levaria, entretanto, a um sofrido impasse existencial que, ainda que subjetivo, me colocaria numa tensão quase que dialética com meu alterego: estarei eu no primeiro ou no segundo grupo de pessoas?

Sei lá... Mas acho que entre o que penso e o que deixo transparecer, ainda consigo me manter no primeiro grupo. E haja lombo para chibatadas por conta dessa escolha!

O fato é que há pessoas com medo de tudo, optando por entregar-se ao desânimo, à preguiça, à estagnação, à manutenção do status quo. O medo tem um poder destruidor, assemelha-se a um gás paralisante... Quem tem medo não age: repete ações pré-estabelecidas.

Vem-me à mente aqui a clássica e antológica fábula dos anos 70, Fernão Capelo Gaivota. Muito embora minha frieza de ateu convicto me leve a manter o pé atrás para o substrato cristão/espírita que perspassa toda a obra de Richard Bach, devo confessar que gosto muito do enredo do livro. Fernão Capelo Gaivota é uma ave que não se contenta em voar apenas para comer. Fugindo do lugar-comum, tem prazer em voar e esforça-se em aprender tudo sobre vôo. E, justamente por ser diferente do bando, é expulso, execrado, visto com olhos de desconfiança quase piedosa.

Para Fernão Capelo Gaivota, assim como para os que não se submetem aos medos e desmandos, o importante não é viver uma vida em busca do que comer; e sim, do conhecimento da arte do vôo e da velocidade perfeita. Ainda que seja a velocidade de um soco desferido num momento de raiva, de um grito que se ouviu a quilômetros ou de uma palavra impensada que te custe uma retratação na forma da lei.

A moral dessa história, contudo, é que existe o medo real e o medo inventado. E, quando paro para pensar nisso, fico me perguntando se o medo é, de fato, um senso de autopreservação ou uma forma vergonhosamente mágica de mantermos nossa parcela de mediocridade, cabisbaixos que nos tornamos, levando uma “meia vida”.

O medo tem sim seu valor, acredito eu. Por conta do medo, mensuramos o perigo. Por conta do medo, abstemo-nos de nos arriscar. Por conta do medo, traçamos um raio limite de até onde ir, sem risco... SEM RISCO!!!

Conformados, amarrados por grilhões imaginários (mas que sangram o pulso e, por que não, o peito), nos mantemos estáticos, assegurando uma vida sem sobressaltos e perigos inesperados.

Enquanto isso o tempo passa... sempre. Nossa “meia vida” está cada vez mais vinculada aos nossos pseudo-medos que asseguram nossa pseudoestabilidade até o nosso agendado fim. Previdenciário fim. Merecido e honrado fim.

Não nos damos conta que perdemos nossas referências e nossa ousadia por não estarmos preparados para tantos ousados e necessários riscos. Prevenimos de mais, acatamos de mais, nos mostramos de menos... Como crianças que vivem em estufas de ar puro e que não têm, portanto, anticorpos para brincar na rua... Acabamos por nos tornarmos os rinocerontes de Ionesco... Absurdamente rinocerontes! Caladamente rinocerontes!

Viver é altamente perigoso, já sentenciou Riobaldo em Grande sertão: veredas. E isso é fato. Mas também, não há que haver regras nesse jogo. Pois sem tentar, sem arriscar, sem gritar nem falar alto, é “meia vida” mesmo!... é WO vergonhoso! E isso também é fato!

Mensagem válida para jovens (de espírito e de matéria) que ainda pensam no futuro; para os tolos que fazem da negação e da autoilusão motivo para sofrer e fazer sofrer; para pais que não sabem como lidar com os filhos na cruel sociedade moderna; para os apaixonados e outros “ados” que têm medo de se mostrarem como tais; para todos os apegados a referenciais imutáveis e, especialmente, para cães que têm medo de vassoura e para professores que desaprenderam o revoltar-se.




O OCASO

“Par délicatesse, j’ai perdu ma vie.”

(Rimbaud)



Num átimo

despenquei do meu olimpo

e vim dar na terra dos rotos

esfarrapados e patéticos...

De besta que sou

acreditei na fagulha

que nos olhos de toda humanidade

me acenava

A desmedida fez de mim

o Prometeu desusadamente tolo

arrogante e néscio

Nesse sem-fim dos meus dias

a corroer-me cérebro e entranhas

Ai que estou farto da bondade alheia!...

E cansei-me de mim

Cansei das repetidas

palavras de amizade

dos homens e mulheres de bem

Quero o vendaval

dos sentimentos torpes e imundos

Quero a poeira dos solos

a queimar-me a língua

Quero a podridão da carniça

a invadir-me as narinas

Sou todo os Riobaldos desse mundo

perdido em sua neblina jagunça

nesse sertão sem vereda

- Ai essa Minas me aniquila !

Não me falem

da beleza das relações

Muito menos da promessa de vida

na aurora dos dias

Não me prometam

amizade eterna

Não vertam suas lágrimas

em minha intenção

Deixem-me em paz, oh bonzinhos de merda!

Que eu quero ir

na direção contrária ao engodo

de seus olhos

de escárnio e piedade

Soltem-se as amarras

do meu barco infeliz e louco

Que eu quero partir desse cais

e ir ser menos que eu

no mar revolto

das garrafas de náufragos...

Antes a frieza das geleiras

dos mares do norte...

Antes as tentações

no deserto escaldante

de minha alma...

Antes as pernas abertas das putas

e o canivete oculto dos michês...

A assepsia do sorriso

e das mãos de todos vocês

me enoja

Causam-me ânsias

suas certezas medrosas

suas felicidades fingidas

seus amores de novela das oito

Oh corja vil de perdedores!

Saiam do meu caminho

Desimpeçam minha sarjeta

Não me estendam a mão

Não me dirijam a palavra

Que os esquecerei

com a mesma violência

com que todos vocês outrora,

em seu canto de sirena,

me levaram à perdição.


(Edmilson Borret)

19.12.09

Eu fumo sim... e estou vivendo.


Hoje, o presidente do TJ-RJ suspendeu a liminar que permitia o fumo em ambientes reservados nos bares, restaurantes, hotéis e similares do Rio. Segundo ele, a liminar “caracterizava grave lesão à ordem pública, refletida na paralisação de importante política pública de proteção da saúde”. Em defesa da decisão do presidente do TJ, o procurador do Estado, Flávio Willeman, disse que a derrubada da liminar contribuiu “para a política do governo que visa a proteger a saúde da sociedade fluminense e, sobretudo, evitar a proliferação do fumo passivo”.

Babaquice! Babaquice! Babaquice! Mil vezes babaquice!!!

Mas peraí! De que ordem pública estamos falando? A mesma que proíbe meu cigarro, mas permite o caos urbano responsável pela liberação de gases tóxicos por carros, ônibus e caminhões nas vias públicas? Ô não-fumante, torça o nariz para o meu cigarrinho, ok? Vire seu rosto para o outro lado. Ah... desculpa! Nem vi que do outro lado havia uma rua apinhada de automóveis... Foi mal, tá?

Política pública de proteção da saúde???!!! Mijei de rir agora... Vivemos realmente na era da hipocrisia! Não fumem, cidadãos! Mas bebam! Bebam o quanto quiserem! Bebam para esquecer que vocês são todos uns otários por acreditarem nas boas intenções de nossas políticas públicas de proteção à saúde! Bebam, porque beber é permitido e até incentivado em propagandas caríssimas nas tv’s e rádios! Bebam, seus otários! Porque cu e miolo mole de bêbado não têm dono.

Evitar a proliferação do fumo passivo??!! E com a proliferação do embotamento cerebral ativo ninguém se preocupa?! O chato do Dráuzio Varella (porque, vamos combinar, todo antitabagista é um chato em potencial), em defesa da lei antitabaco de São Paulo, diz que “os fumantes passivos estão sujeitos a sofrer dos mesmos males que afligem os ativos”. Puta que pariu com batatas! Então tem passivinho aí inalando fumaça que não a mesma que a minha. Porque, em mais de 20 anos de fumo, minha pressão arterial é perfeita (aliás, até meio baixa), minha atividade cardiovascular não apresenta nada de anormal e, mesmo depois de perder quase a totalidade de um dos pulmões por conta de uma tuberculose não diagnosticada a tempo (atentem para o fato de que tuberculose é causada por uma bactéria, ok? nada a ver com o fumo),continuo fumando desbragadamente sem o menor sinal de insuficiência respiratória, cansaço ou algo parecido. Minha mãezinha, que nunca fumou, morreu aos 49 anos de ataque cardíaco fulminante. Minha tia, filha da mesma mãe e do mesmo pai, que fuma desde os 15 anos, ainda está firme e forte do alto de seus mais de 70 anos de vida. Donde concluo, do fundo da minha ignorância e da minha laicicidade no campo da medicina, que esse papo todo de associar o fumo a males pulmonares, sobretudo o câncer, é meio conversa pra boi dormir... O foda é que sofro de insônia crônica!rsrs

Mas, continuando nessa questão do fumante passivo, babaquice isso de proibir o fumo em todos os bares, restaurantes e afins. Bastaria que se estabelecessem bares e restaurantes onde o fumo fosse proibido e outros onde não fosse. Não-fumantes frequentariam os primeiros; fumantes, os segundos. Pronto! Igualdade de direitos para todos! Ou será que essa raça nojenta de fumantes tem mais é que permanecer mesmo sob essa espécie de regime de apartheid anacrônico em pleno século XXI?

Os detratores do fumo ainda saem com pérolas tais como: “O pior é, para quem não fuma, ter que respirar essa fumaça. Se querem fumar, que fumem...longe das pessoas! Não quero respirar essa fumaça que me dá alergia. É falta de respeito! Além de ser muito triste ver as pessoas se matando.” Ah... vão se foder, porra! E se eu for alérgico ao seu perfume vagabundo da Avon? Vou criar uma lei que proíba seu Cashmere Bouquet, seu Unforgetable ou seu Sweet Honesty em bares e restaurantes? Ou pior... E se você nem gostar de usar perfume vagabundo da Avon? E se você nem gostar de tomar banho? Serei obrigado a aguentar sua inhaca de bode nos bares e restaurantes que frequento? E se seu Avon vagabundo e sua inhaca de bode também me causarem problemas respiratórios? E vamos parar com esse papinho babaca de que “é triste ver as pessoas se matando”. Se você não quiser ver (até porque eu não acho que esteja me matando; e, se estiver, é problema meu: foda-se você!), é só não olhar pra mim, porra!

A verdade no fundo de tudo isso é que essa oposição exacerbada ao tabaco baseia-se mais no desgosto das pessoas que circundam os fumantes, do que realmente em motivos de saúde. E isso se deve ao mal desse início de século XXI: o tal do politicamente correto. O mesmo politicamente correto dos ciclistas, por exemplo, que se arvoram estar contribuindo para a salvação do planeta e que parecem pensar que, justamente por conta dessa missão altruística, não precisam obedecer às leis de trânsito. O mesmo politicamente correto dos moralistas de plantão, que veem pedofilia em tudo hoje em dia, mas que exacerbam a sexualidade precoce em seus filhinhos e filhinhas nas festas infantis de aniversário ao incentivarem os mesmos a dançarem o créu, na mais pura demonstração de orgulho paterno: “Olha como ele(a) dança direitinho! Que coisinha mais guti guti!” O mesmo politicamente correto que chama cego de deficiente visual; surdo, de deficiente auditivo; negro, de afro-descendente; mas que, no fundo, está cagando para esses grupos: cotas para eles e interferências na linguagem... já está de bom tamanho, eles que se virem com suas especificidades!

Esse mesmo politicamente correto que, há algumas décadas atrás, transformou todos os não-fumantes em fumantes passivos. E, com isso, condenou os ativos ao fogo eterno da culpa. Mas há uma coisa que poucos sabem e que as campanhas antifumo não dizem. No site da Organização Mundial de Saúde, procure que você achará uma informação que vai abalar seu mundinho de convicções intocáveis. O país de maior longevidade saudável é, por acaso, o terceiro onde o fumo per capita é maior. Que país é esse? O Japão. Saiba que japonês só não fuma quando toma banho de chuveiro.

Não fumo em locais fechados, não fumo em ônibus, nem em elevadores. Respeito seu direito nesses locais (embora você não respeite o meu com seu perfume vagabundo da Avon ou sua inhaca de bode). Portanto, seu babaca não-fumante, vou lutar com unhas e dentes (amarelados pela nicotina) por esse meu direito que, tenho a mais absoluta certeza, não prejudica ninguém senão o narcotráfico, que está à espreita, torcendo para que o cigarro seja cada vez mais banido.
Farei isso nem que tenha que entrar em luta corporal com algum segurança de bar ou restaurante, estabelecimento que será devidamente processado por ameaça ou dano à integridade física do cliente fumante aqui.

10.3.09

"Provavelmente não há Deus. Então pare de se preocupar e aproveite a sua vida"

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Esta frase inteligentíssima anda circulando nas laterais de ônibus (os chamados “ônibus ateus”) nas grandes capitais européias recentemente. E, como era de se esperar, tal frase tem suscitado reações por parte da cristandade que chegam a beirar a bestialidade. Em Gênova, a concessionária de publicidade nos meios de transporte públicos IgpDecaux considerou que o slogan é provocatório e não se enquadraria no código de ética da propaganda italiana. E aí eu fico me perguntando o que essa mesma concessionária diz a respeito dos vários panfletos e anúncios que vemos em ônibus e outros locais públicos quando das ocasiões festivas em homenagens às tantas “nossas senhoras” que a cristandade resolveu adorar. Dois pesos, duas medidas?! Cômodo, não? A associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) resolveu entrar com uma representação contra a concessionária e pedir que a prefeitura de Gênova revogue o contrato com a IgpDecaux. A prefeita da cidade, que é laica, tinha se declarado favorável à campanha, realçando o direito de liberdade de expressão. A UAAR pretende ir até a Corte de Justiça Européia, se for necessário. Pois é, lá esse papo de direito de expressão é levado muito a sério. Aqui no Brasil, anúncios como esse nem teriam chances de serem vinculados. Num país em que até mesmo manifestações artísticas como novelas, filmes, peças de teatro, desfiles de escola de samba, etc. são monitoradas pela santa igreja católica e protestante em busca de ímpios iconoclastas, imagina se um grupeco de ateus teria vez e voz.

Quando, há alguns meses atrás, resolvi “sair do armário” e me declarar ateu, provei o amargo gosto de todo o preconceito e discriminação declarados que até então eu nunca havia provado em toda minha existência. Mesmo tendo nascido negro, pobre e fudido, se preconceitos sofri na vida por conta dessa origem, estes foram, em sua grande maioria, velados e/ou dissimulados. Mas quando resolvi gritar “sou ateu”, choveram esculhambações abertas de toda parte. Eu poderia ter dito que gosto de comer criancinhas (“comer” no sentido de “deglutir”, ok?), que me amarro em dar a bunda ou qualquer outra coisa considerada cabeluda pelo senso comum, mas jamais afirmar que deus não existe. Isso não! As pessoas de bem não estão preparadas ainda para uma declaração tão bombástica assim...

As pessoas de bem excomungam meninas de 9 anos que abortaram depois de terem sofrido estupro cometido pelo próprio padrasto, mas não excomungam o estuprador. “O estupro é algo menos grave que o aborto”, segundo a lógica torta do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho. As pessoas de bem se engalfinham para provar que são mais “de bem” que seus pares: matam semelhantes por suas crenças, mandam semelhantes para a fogueira ou para os campos de concentração e extermínio, empurram semelhantes para as faixas de Gaza e guetos mundo afora, desconsideram heranças culturais e étnicas ao demonizarem semelhantes em emissoras de TV e jornalecos distribuídos nos templos nababescos de bispos abastados pelo dízimo dos fiéis.

Mas o que mais me terrifica nas atitudes das pessoas de bem é a lavagem cerebral nefasta que ultimamente elas têm se empenhado em fazer nos jovens e adolescentes. No meu Orkut é crescente o número de alunos adolescentes que estampam em seus perfis o fato de serem protestantes... O problema é que a maioria deles nem sabe o que significa isso. Papagaios de pirata que são, repetem bordões do tipo“só Jesus salva”, “deus 100% fiel”, “eu acredito e confio em deus”, mas ostentam nicks do tipo “putão”, “muleke prostituto”, “muleke 157”(referência ao art. 157 do Código Penal que trata de roubo e latrocínio). Não que um prostituto (ainda que apenas no reino do virtual) ou um “ladrãozinho da boca pra fora” para impressionar as “gatinhas” não possa se declarar protestante. Mas o que percebo aí é a falta de convicção desses adolescentes, observada de forma flagrante em suas atitudes e pensamentos e revelada num breve passeio pelas suas descrições orkutianas, suas comunidades, seus vídeos do youtube, etc. Ouviram o galo cantar sem saber onde. Seus pastores (talvez lobos guardando ovelhas) acenam-lhes com promessas de vida eterna, não importando suas atitudes questionáveis ou delinquências visíveis: o que importa é atrair esses jovens para a seita. Ainda que eles não tenham a mínima idéia do que estão bradando ao propagarem o“só Jesus salva”, o que importa é que eles bradem com toda a força de seus jovens pulmões. Algumas dessas seitas chegaram ao cúmulo de se apropriarem daquilo que mais agrada a esses jovens, a cultura questionável do funk erótico, para levar adiante seu processo de lavagem cerebral. Adaptaram a sofrível “dança do Créu”para o universo cristão. É grotesca a cena nos templos: jovens rebolando a bundinha e a pélvis, executando gestual abertamente erotizado, quase que em transe, hipnotizados, repetindo palavras que parecem em total desacordo com a mise-en-scène que se vê: “Pra ir pro céu tem que ter muita oração/ Pra ir pro céu tem que ter é santidade/ O inimigo, ele não dá mole não/ Porque só Jesus Cristo é que salva de verdade/ Céu, céu, céu, céu, céu”... Tudo é válido, segundo os pastores dessas seitas. O negócio é arrebanhar um número cada vez maior de jovens. Seria cômico, se não fosse trágico. Vejam os vídeos:






Numa sociedade de pessoas de bem, há leis que protegem nossas crianças e adolescentes do assédio de, por exemplo, pedófilos e aliciadores do tráfico; mas infelizmente não há leis que os protejam da sanha dos sacerdotes. Estes tão ou mais perniciosos que aqueles...



E tudo isso por quê? Porque a humanidade não consegue viver sem seus mitos, não consegue sobreviver enquanto humanidade se não puder depositar o mérito de seus sucessos ou fracassos numa força sobrenatural, numa deidade qualquer: deus, jeová, alá, shiva, oxalá, osíris e tantos outros. Se, para fazer parte desse seleto rol das pessoas de bem, eu tiver que me render a essas deidades, prefiro ser olhado de esguelha pelos meus detratores. Decididamente, por essa ótica caótica, nunca serei uma pessoa de bem...

9.8.08

Se a preguiça é um dos 7 pecados, eu quero mais é queimar no inferno... Ave, Macunaíma!




Essa coisa do mundo lá fora anda me dando uma preguiça danada... Ou talvez seja eu que, no fundo, nunca tive muito talento para as coisas do mundo lá fora. Ou, decididamente, i’m not the man i used to be...

Até mesmo escrever aqui neste blog é algo para o qual tenho tido cada vez menos saco... As postagens têm se tornado cada vez mais raras, como raros têm se tornado meus cabelos, minhas ereções e minhas idas a um puteiro... Muito chato esse negócio de escrever bonitinho, avisar aos amigos (“Postei lá, você viu?”), aguardar um ou outro comentário inteligente ou delicado e gentil por pura educação... Enquanto isso, tem uma galera por aí fazendo dinheiro a rodo (Bruninha Surfistinha, cadê você, minha linda?) e eu aqui querendo salvar a humanidade com belas palavras que toquem ao coração e à alma dos ímpios. O Marco Aurélio Góis dos Santos, em seu Jesus, me chicoteia!, é que parece ter razão. Segundo ele, uma das várias divisões possíveis da população mundial seria a que se observa entre os que têm dinheiro e os que sabem escrever. “São dois grupos bem distintos, e desconheço qualquer intersecção entre eles (“E o Paulo Coelho?”, alguém dirá, o que só serve para reforçar minha tese). Vez por outra o primeiro grupo precisa dos serviços do segundo. Para isso, mostram-se dispostos a abrir mão de uma ínfima parcela de seu rico dinheirinho em troca de meia dúzia de frases mais ou menos bem alinhadas.”

Tá... Mas vamos parar de blá-blá-blá e vamos ao que interessa (se é que algo ainda interessa nessa merda toda aqui). Até porque já estou com a bunda achatada de ficar tanto tempo aqui nesta cadeira e, para um fumante-velho-sedentário-moleirão como eu, muito tempo sentado é risco de hemorróidas na certa (e até o fim da vida, não quero mais ter que encarar o dedo médio, que de médio não tem nada, daquele meu proctologista safado, tarado, de riso sádico). Como não tenho nada mais picante ou contundente sobre que falar, falarei da minha semana, essa aí que acabou. Semaninha boa de retorno às aulas, os anjinhos voltam todos de baterias recarregadas. Aposto como dedicaram boa parte desse recesso escolar imaginando maneiras novas de infernizar a vida dos babacas dos professores e funcionários do colégio... E eles se esmeram cada vez mais; é impressionante a criatividade que esses “mulekes” têm: Bin Laden e os integrantes das FARCs ficariam de queixo caído... Mas eles são uns amores. Eu os adoro. Como, entretanto, nenhuma bomba foi deflagrada na unidade escolar, nenhuma cadeira ou carteira voou em sala de aula, nenhum “peido alemão” foi jogado sorrateiramente no pátio durante o recreio, nenhuma mãe de aluno enfurecida veio arrumar barraco na Secretaria; então não tenho muita coisa a falar aqui sobre esta minha semaninha no colégio... Ah sim, a não ser que alguns de nós, professores e funcionários, passamos uma semana mais felizes que pinto no lixo, por conta de uma grana extra que o pilantra do César Maia resolveu finalmente nos pagar após quase um ano de promessas... Sabem como é, né? Proximidade das eleições, o caras também se esmeram... Mas os alunos continuam sendo mais adoráveis...

E, por falar em eleições, meu grande amigo Altair ficou puto dentro das calças essa semana porque o Supremo decidiu que o candidato processado por suspeita de irregularidade, mesmo ainda sem culpa provada, não ficará impedido de concorrer no certame eleitoral. Mas o cidadão comum não pode fazer concurso quando tem processo na justiça, mesmo que a sentença não tenha sido ainda transitada em julgado. Realaxa, Alta, isso são coisas do nosso impávido colosso deitado em berço esplêndido!

Teve também a abertura dos jogos olímpicos lá na China, né? Porra! Aqueles amarelos comedores de broto de bambu deram show! Chorei baldes com o espetáculo. Comenta-se por aí que tenha sido talvez a melhor abertura de olimpíadas de todos os tempos. Também pudera, né? Se os carinhas lá errassem um milímetro que fosse na coreografia ensaiada, seria porrada na certa. Povo incentivado é outro papo... Aliás, muito estranho o povo chinês... Não sei por que, mas não me convence muito aquele risinho feliz e cordial deles...

Essa semana também, em uma conversa com meu grande amigo Wendell pelo MSN, ele me fez uma pergunta altamente desconcertante: queria saber se eu acreditava em paixão. Não a paixão por um time, por uma causa ou por uma atividade; mas aquela paixão das novelas e filmes açucarados que dizem existir entre homem e mulher. E aqui devo explicar por que a pergunta me foi desconcertante (e olha que ele me fez uma outra pergunta, que não revelarei aqui, que para a maioria das pessoas poderia ser considerada bem mais desconcertante). Desconcertou-me a pergunta nem tanto pela pergunta em si, mas mais pelo momento que estou vivendo. A questão é que cheguei aos 41 faz pouco mais de 2 semanas... Ok, ok.. 4.1 turbinado e total-flex, mas ainda assim 4.1... E isso assusta. A vidinha da gente parece incansável e maravilhosa aos 20 ou 30 anos. Ok, admito: até é mesmo. O foda é que 10 ou 20 anos depois já não parece tão maravilhosa assim, muito menos incansável. Há uns 10 ou 20 anos antes, eu juro que achava que estava na melhor fase da minha vida. Podia saltar montes, virar cambalhota, plantar bananeira, chupar meu próprio pau, dizer “foda-se” para tudo e para todos, notar coisas diferentes em mim, em minha aparência e em meu pensamento. Aos quarenta, todo homem se defronta com a fatalidade da sua decadência. Ele sabe o que ele vê: estou velho! E veja que não estou falando: "estou ficando velho", mas "estou velho". E isso é um fato e pronto. A patuléia do senso comum insiste em dizer que com a "maturação" (para mim, “decadência”) o homem se torna mais sedutor e mais exigente. Ah, vai cagar no mato! Sedutor como? Se os cabelos rarefazem ou embranquecem, se os dentes amarelam, se a barriga cresce, se a pele enruga nos cantos, se o pinto começa a ter crises existenciais, se a simples menção de se pintar ou fazer um aplique nas madeixas começa a parecer algo tão risível. Sedutor é o caralho! Decididamente, isso é uma concepção Global de homem-adulto. O homem, a partir dos 40, é um espectador mal disfarçado da vida. Está treinando para seu papel futuro: segurar as bolsas das moças, olhar as meninas pulando, olhar casais trepando no apê em frente pela desconfortável fresta estreita do basculante, se amontoar na “night” junto com os outros bêbados adultos e sentir-se um vira-lata diante do frango de padaria (gosto muito dessa comparação... foda-se se não é inédita pra você)... enfim, fazer tudo o que já fazia quando moço mas que podia dechavar comendo uma ou outra namoradinha esporádica num puta semi-árido de punheta e suplício sexual. Mas tudo bem: como já deixei claro numa postagem anterior aqui mesmo neste blog, a velhice tem lá seus encantos.

O que acontece, entretanto, para nós homens, é que a natureza dá ao macho a falsa ilusão de ter aproveitado sexualmente bem sua juventude para, logo depois, ter o prazer de puxar-lhe o tapete e revelar o inverso para seu pobre brio alquebrado: eis o crepúsculo do macho (diferente daquele de que fala o Gabeira). Já as mulheres são outro papo: elas sempre aproveitaram mais! Mesmo as feias e barangas tiveram uma vida sexual mais honrada (“honrada” no sentido de proveitosa) e o pobre macho seguiu esses anos todos se achando o rei da cocada preta. Elas já chuparam, deram o cu, gozaram algumas vezes e outras não (claro!), transaram na água, na praia, no elevador, no chão do escritório, em sanitário público, com outras mulheres, com borboletas vibratórias, com vibradores, com pillots, bonecas, com uma ou mais amigas, com dois ou mais homens, com equipamentos variados, sozinhas (já falei isso), na igreja, na danceteria animada, na zona, enfim em qualquer cafofo digno ou indigno do planeta. E depois ainda se fala em inveja do pênis!!!! A inveja do pênis é uma falácia de psicanalistas homens... O que existe, no duro (sem trocadilhos), é a inveja da buceta. Mas esse sentimento homem nenhum confessa. E o homem que ler isso aqui vai se emputecer comigo (aposto meu fiofó), mas se tiver coragem vai ver que é a mais pura verdade... Elas vivem suas vidas. Aparentemente desvinculadas do sexo. Aparentemente!! E transam o quanto podem na hora que bem quiserem. E nós, pobres machos, somos só afortunados se estamos na hora certa, no lugar certo e com a disposição necessária pra meter na gorduchinha (ou na magricela, se for o caso).

Bem, muita gente mais letrada que eu (e pseudo-letrada também), gente de discurso psicanalítico, gente analisada, de papo-cabeça, diz tudo isso aí que eu disse; mas não do modo como eu disse... É que sou meio “gauche” mesmo, entende?...

É por isso, Wendell, que sua pergunta me foi desconcertante. É como eu disse lá em cima: essa coisa do mundo lá fora anda me dando uma preguiça danada... E aos 4.1, ando realmente meio sem saco para pensar nessas coisas...

Bom, mas, depois de amanhã, começa uma nova semana... Quem sabe, meu amigo, quem sabe?


Ok. Postagem feita, blog atualizado, posso voltar a navegar pelos sites de putaria.

26.11.07

O dia em que Deus surtou, desceu à terra, rodou a baiana e me mandou à merda...





Ed
fala para Todos: Pareço viver como quem caminha sobre um pântano, tudo se move à medida que arrisco um passo. Nada é verdadeiro, tudo é irreal. A realidade é inacessível e vivo num mundo de máscaras. Tudo falso. Talvez o mar, a montanha, as pedras, o sol e a lua, talvez isso tudo seja verdadeiro. Mas o homem não, o homem é falso. Sempre mascarado, mesmo sem querer, mesmo sem saber. Talvez chegará à velhice delirando de febre sem se dar conta. E a mim, grande otário que sou, a descoberta não me consola. Sou como Prometeu que descobre que o Deus que me pune e me atormenta é somente a projeção ampliada da sombra do meu próprio corpo. Será que a punição cessaria se eu apagasse esse fogo da tocha em minha mão?... ou, pelo menos, o meu fogo no rabo?

Chaplin fala para Ed: O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.

Ed fala para Chaplin: Porra, meu camarada, não mete essa! Pirandello já disse que a forma é uma morte.

Nietzsche entra na sala...

O Príncipe de Verona fala para Todos: Melancólica paz nos traz esta manhã. O sol, de luto, não se mostrará. Embora daqui vão, e conversem mais sobre esses tristes fatos.

Ed fala para O Príncipe de Verona: Mais, porra??!!!!

Chaplin sai da sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Alguém afim de tc?

Ed fala para Nietzsche: Fala aí, cara! Blz?

O Príncipe de Verona sai da sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Falar muito sobre si mesmo pode também ser um meio de esconder-se.

Ed fala para Nietzsche: Tá bom, então sobre o quê vamos falar, hein?

Menina Quebequense entra na sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: É difícil o suficiente lembrar minhas opiniões, sem também lembrar minhas razões para tê-las!

Ed fala para Nietzsche: Isso é porque vc tá mortinho da silva, cara! Aliás, como tudo nessa vida. O homem tá morto, Deus tá morto. Vivemos na Matrix, nada é verdadeiro.

Menina Quebequense fala para Ed: Como assim Deus tá morto? Onde? Como? Qdo foi? Por que ninguém me avisou? Isso é uma grande discriminação.

Ed fala para Menina Quebequense: Hã? Vc tá falando sério, minha pequena??!!!

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos.

Fausto Silva entra na sala...

Menina Quebequense fala para Ed: Não gosto que me chamem de “minha pequena”! Isso é discriminação!

Ed fala para Nietzsche: Pô, cara! papinho mais tatibitati!!! Fala algo que eu já não saiba!

Ed fala para Menina Quebequense: Putz, guria! Vc comeu merda quando criança, foi? Muda o disco, vai!

Tati Quebra-Barraco entra na sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Quanto mais me elevo, menor fico aos olhos de quem não sabe voar.

Ed fala para Nietzsche: Cara, vc se acha, não? Já percebeu como as pessoas citam vc como se vc fosse a fonte suprema da verdade?

Menina Quebequense fala para Ed: Estou me sentindo censurada. Você é um grosso.

Ed fala para Menina Quebequense: Ah, minha filha, grosso é o meu cacete!

Tati Quebra-Barraco fala para Ed: Obaaaa!! Entaum meti, meti, meti ateh gozá, qui eu tow pegandu fogo, quero ver tu apagá... Tah ligado neh?

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Faltam ao céu todas as pessoas interessantes.

Ed fala para Tati Quebra-Barraco: Sai pra lá, ô baranga!

Menina Quebequense sai da sala...

Ed fala para Nietzsche: Pois é, cara, mas vc continua aí queimando no fogo do inferno...

De Tarso entra na sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Às vezes se permanece fiel a uma causa apenas porque seus oponentes não cessam de ser insípidos.

De Tarso fala para Todos: Boa noite a todos! Estou acordado e todos dormem.

Ed fala para Nietzsche: Poxa, cara! Por falar em insípido, isso me lembrou algo que li de um professor de química não sei onde. Ele dizia que Deus é incolor, inodoro e insípido. Será que isso faz da água uma substância onisciente também?!

De Tarso fala para Ed: Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.

Ed fala para De Tarso: Ah, meu camarada, sem essa, vai! Vc foi um dos grandes culpados de toda essa merda. Vc foi o grande vira-casaca da história, na boa!

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: A insanidade em indivíduos é algo raro, mas em grupos, partidos, nações e épocas, é a regra.

Ed fala para Nietzsche: Regra é o mesmo que norma, cara. E norma é o mesmo que forma, só muda a primeira letra. Aliás, vc já notou como as pessoas dão uma puta importância às primeiras letras? Na verdade, elas nem são tão importantes assim. São apenas o hall de entrada de uma palavra, a recepção. A primeira letra diz o quando eu nasci, por exemplo: “a letra A tem meu nome”. Mas é o resto da palavra que vai afirmar que, afinal, seria uma rima, não uma solução. Mundo mundo, vasto mundo, mais vasto é o meu coração.

De Tarso fala para Ed: Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Ed fala para De Tarso: Aí, cara, quando vc era um menininho judeu vc acreditava em Papai Noel?

De Tarso fala para Ed: Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica...

Ed fala para De Tarso: Sei qual é, mas pensa bem: Papai Noel é tão falso quanto o seu Deus. E é um grande filho da puta ainda por cima, muito embora o seu povo (pois é, era o "seu povo" antes da virada de casaca) e os americanos digam que são os outros. Barbudo, cabeludo e roupa toda vermelha:comunista!(é a cara do Karl Marx). Gordo, barrigudo, bota preta tipo militar: nazista! Adora agarrar criancinhas e colocar no colo: pedófilo! (antigamente os capitalistas diziam que os comunistas comiam criancinhas). Gorro e roupão de lã de manga comprida num clima tropical: só pode estar doente! E aquela risada resultante de algum distúrbio mental: talvez esclerose! Será que tem alguma bomba naquele saco? Terrorista! Aquele cinto tão largo deve ser para segurar alguma hérnia pelo esforço de carregar aquele sacão. O Papai Noel não passa de um dos maiores símbolos da exploração selvagem dos países ricos sobre o resto do Mundo. Quem deu presentes a uma criança pobre nascida em Belém, chamada Jesus, foi um grupo de astrônomos, astrólogos, bruxos, alquimistas, feiticeiros, curandeiros, estudiosos ou sábios. Hoje seriam chamados cientistas. De qualquer maneira, eram fortes, saudáveis (para viajar de camelo, longas distâncias, através de regiões inóspitas, tinham que ser) e se vestiam de forma adequada à região em que viviam. E eram árabes, pele morena, bem diferente da configuração atual do presenteador vermelho.

Tati Quebra-Barraco fala para Todos: algum tigrão afim de tc? vow fazê vc dançá, vem zuá na minha teta pra gente podê quebrá... Só nas tchutchucas!!!!!!

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Perguntemo-nos quem é propriamente "mau", no sentido da moral do ressentimento. A resposta, com todo o rigor: precisamente o “bom” da outra moral.

Ed fala para Nietzsche: Papinho pra boi dormir, cara! Tô falando de um outro lance, saca? De um tempo em que árabes e judeus viviam em paz, 3 reis árabes comparecem ao baby shower do nascimento de Jesus, filho de José e Maria. E isso foi um puta evento social: além Belquior, Baltazar, e Gaspar, compareceram Buda, Iemanjá, Tloque Nahuaque, Astarté, Ogum, Zeus, Tupã e Afrodite (afinal não é em todo século que nasce um deus e, no nascimento de mais um, não poderiam faltar outros deuses para prestigiar a efeméride), e também duas vacas, dois burros, dois bodes, dois carneiros, dois porcos, um lhama e quatro galinhas. O feliz natal foi destaque em todas as colunas sociais daqui e do além. Os jornais “A Palavra Celestial”, “O Onipresente” e “Paradise News” circularam até com caderno especial. Por outro lado, nos jornais “Atualidades Infernais” e “Inferno Hoje” registraram-se apenas notas depreciativas em canto de página. Que babaquice esse negócio de Natal com neve e pinheiro, né não? Aí, na boa, a última vez que nevou no Oriente Médio foi durante a última Era Glacial e a última folhagem que se viu naquele deserto foi a tal da sarsa ardente, um arbusto pegando fogo que falou com o Moisés... e o pior é que ele respondeu. Na boa, se o JC tentasse entrar nos EUA hoje, cabeludo, barbudo, pardo, com aquele narigão adunco, de roupão e vindo da Palestina, iria parar nos calabouços do FBI. Tava fudido!

Tony entra na sala...

Fausto Silva grita para Todos: Ô LOUCO, MEU!

Coro fala para Todos: Oh, nobre Édipo! Perdido na escuridão de sua cegueira!

Fausto Silva sai da sala...

Ed grita para Coro: VAI TOMAR NO CU, PORRA!

Tony canta para Todos: Tonight! Tonight! It all began tonight, I saw you and the world went away...

Comandante do Zepelim Gigante entra na sala...

Nietzsche (reservadamente) fala para Todos: Não se podem inverter todos os valores? E o bem é talvez o mal? E Deus nada mais é que uma invenção e uma astúcia do diabo? Talvez em última análise, tudo esteja errado? E se nós nos enganamos, não somos por isso mesmo também enganadores? Não temos de ser igualmente enganadores? Esses pensamentos que o guiam e que o extraviam, sempre mais avante, sempre mais longe. A solidão o cerca e o envolve, sempre mais ameaçadora, mais estranguladora, mais pungente. Essa temível deusa é “mater saeva cupidinum” (mãe cruel das paixões) – mas quem sabe hoje o que é a solidão?…

Tony canta para Todos: Today, all day I had the feeling a miracle would happen. I know now I was right. For here you are, and what was just a world is a star...Tonight!

Ed fala para Nietzsche: Putz! Finalmente acho que estamos começando a falar a mesma língua!!! Esse papo de enganação aí tem tudo a ver. Pensa só: Jesus e Bin Laden. Um mandava os outros rezarem de joelhos, o outro se ajoelha com a testa no chão para rezar. Um tem barba e cabelos compridos, o outro só a barba. Um usa túnica branca; o outro, túnica branca e turbante. Um contrariou os interesses de suas próprias elites religiosas e dos romanos, o outro contrariou os interesses dos yankies. Um tem 2000 anos de marketing pessoal, fama e propaganda; o outro quase 10 anos. Um (dizem) se dizia filho de seu próprio deus, o outro se diz (dizem) apenas um fiel de seu deus. Um usava palavras, ramos e (dizem) milagres como armas; o outro usa palavras, TV, internet e armas mesmo como armas. Um é retratado hoje como branco, loiro e olhos azuis (??!!); o outro tem pele trigueira. Um estudou o Torá; o outro, o Alcorão. Um (dizem alguns) foi orientado pelos Essênios; o outro (pasmem!), pelos próprios yankies. Um, como judeu que era, rezava balançando a cabeça contra as ruínas de uma parede de pedras; o outro, encostando a testa no chão. Um não tinha dinheiro; o outro tem muito, corrigido (juros) pelos próprios yankies. Um era filho de um homem de ofícios (uma espécie de quebra galhos, faz-tudo, até carpintaria, um artífice), o outro é filho de um construtor (engenharia). Um era solteiro e não tinha filhos (pelo menos, não reconhecidos), o outro tem uma porrada de esposas e uma porrada de filhos. Um (dizem) queria salvar o mundo, dos pecados; o outro quer salvar os mulçumanos, dos ocidentais (cruzados e yankies). Caráio, veio! Algumas diferenças, mas muitas semelhanças também, não? Seria o novo messias???!!!!

De Tarso grita para Ed: BLASFÊMIA!

Comandante do Zepelim Gigante fala para Todos: Quando vi, nesta cidade, tanto horror, iniqüidade, resolvi tudo explodir.

Ed fala para De Tarso: Ah, liga não, cara! Vou preparar um currículo para o Céu e um para o Inferno. Se for recusado num, apresento para o outro, vlw? Em algum canto a gente vai se encontrar...

Comandante do Zepelim Gigante fala para Tati Quebra-Barraco: Mas posso evitar o drama se essa formosa dama essa noite me servir.

Ed fala para Comandante do Zepelim Gigante: Manda ver, cara! Ela vai nos redimir... hahahahahaha

Tati Quebra-Barraco fala para Comandante do Zepelim Gigante: Eta lelê, eta lelê! Sou feia mais tow na moda, tow podendo pagá hotel pros homens, isso é que mais importante. Quebra meu meu barracooo!

Ed fala para Comandante do Zepelim Gigante: É isso aí, cara! Adão trocou todas as maravilhas do Éden pela mulher, absolutamente todas. Na boa, eu acho que o tal fruto proibido era a própria; depois que o Adão provou, pegou o presente divino, botou debaixo do braço, largou tudo e caiu no mundo, literalmente, deixando o Criador no ora veja... quem diria! hahahahahahaha

Deus entra na sala...

Ed fala para Todos: Ops...

Nietzsche sai da sala...

Tati Quebra-Barraco sai da sala...

Comandante do Zepelim Gigante sai da sala...

Deus fala para Ed: Amarás a Deus sobre todas as coisas!

Tony canta para Deus: The most beautiful sound I ever heard... All the beautiful sounds of the world in a single word .

Ed fala para Deus: Eu ME amo e é recíproco...

Deus fala para Ed: Mulher, tu não usarás roupas de homem (calça comprida, paletó ou simulacro), não te portarás de maneira masculina e não adorarás outro Deus (dinheiro, imagens humanas ou de outros animais)!

Ed fala para Deus: Mulher é o cacete, porra! Qual é? E sem essa de “não adorarás”! A partir de quantos ou quando uma seita vira religião? O Cristianismo era uma seita obscura praticada por um povo nômade que vagava pelos desertos da Arábia até que foi dar com os costados no rio Jordão. É baseada no sacrifício de animais para satisfazer os deuses. Não satisfeitos (deuses e ofertantes) resolveram oferecer sacrifício humano (Jesus) para aplacar o então Deus único, você (copiado de um faraó). Portanto é uma religião baseada em sacrifício humano, sem diferir muito dos Maias, dos povos da África e povos da Europa também.

Deus fala para Ed: Quer saber? Vai à merda!

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11.11.07

Tempo, tempo, tempo, tempo...




Essa brincadeirinha no Photoshop aí em cima é mero chiste. Na verdade, uma crítica bem-humorada à vaidade fútil. O Photoshop, junto com as máscaras de pepino, os cremes anti-idade, o "lifting" e o botox, parece ser o grande achado da modernidade para iludir o tempo. Aos quarenta anos de idade não sei se já posso me considerar um velho. Isso é algo que realmente nunca passou pela minha cabeça. Nunca pensei nisso porque, no fundo, isso nunca me incomodou de forma alguma. Não tenho medo da velhice ou da morte. Tenho medo de muita coisa, mas da velhice e da morte não. Tenho medo de gente mesquinha, de gente falsa e má. Tenho medo de ser atropelado, levar uma bala perdida, despencar num elevador... (mas não pela morte em si que possa advir desses eventos, e sim pela violência de ações tão arrebatadoras... porra, e se eu não tiver nem terminado meu chopinho e meu cigarro?) Mas do tempo e da velhice não. O tempo é parceiro do homem. O tempo, "um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho... compositor de destinos, tambor de todos os ritmos... um dos deuses mais lindos". Rugas tenho-as aos montes já. Mas me acho tão bonito tendo-as por companheiras... Não admitirei retoque em nehuma delas!



Mas é exatamente aí que está
o encanto da minha idade.
Conheci de tudo um pouco,
das lágrimas aos sorrisos
e ambos me fizeram ser
essa pessoa que sou hoje.
Ficaram as rugas no rosto e na alma,
mas também ficaram sorrisos em ambos.
Minhas rugas mais bonitas
são aquelas marcas de expressão
que eu adquiri por tanto sorrir,
muitas vezes, quando o coração chorava.

(Silvana Duboc)


Pensando nisso, fiz esse pequeno vídeo. Espero que gostem.
Quem quiser, pode baixá-lo aqui.

Uma ótima semana a todos!


10.11.07

Tô de saquinho cheio da tal geração saúde!



Estava eu lá parado em frente à banca de jornais olhando pro nada e pensando na vida. De repente, o “nada” assumiu cores chamativas em corpos não menos chamativos pendurados em capas de revistas que iam desde “Caras”, “Boa Forma” a “Men’s Health”. Aí eu pensei (pois é, porque de tanto olhar para o nada e pensar na vida, hoje executo esse ato de “pensar” com quase nenhuma dificuldade): o negócio parece ser realmente virar um “saradão” ou uma “gostosona”, ter um corpo que chame a atenção, puxar ferro, tomar proteína, aminoácido, albumina, colocar silicone e o escambal para ficar com tudo em cima. Pensei e logo “despensei”. Eu, particularmente, prefiro puxar fumo (do liberado, Souza Cruz, ok?), tomar meu chopinho, colocar “simancol” e o escambal para ficar com tudo acima. Não que eu goste de ser essa coisinha magra, corcunda, sem bunda e de barriguinha saliente... Já até pensei em ser um sujeito saradão e tal... mas daí a chegar a “malhar”: nem fudendo!!!

Será mesmo que para ser aceito nessa sociedadezinha de merda tão preocupada com o tipo físico serei obrigado a me transformar no “incrível Hulk neguinho” de menores proporções?! Quero não, na boa. Uma rápida olhada nas páginas das citadas revistas nos mostra que essa mesma sociedade já está abarrotada de gostosona popuzuda “débiu mentau” e de bombado descerebrado. Ou seja, não precisa de mais um: posso dormir sossegado, em paz com minha consciência por não estar fugindo a nenhuma responsabilidade social, né não? E a padronização no visual desses seres estranhos? Os malhadões em suas roupas de marca, não raro, costumam cursar algo entre Administração, Educação Física ou Direito e sonham em viajar para uma praia qualquer na Tailândia. As gostosonas popozudas são siliconizadas, usam e abusam de tops "mostra-barriga" e falam com aquela vozinha arrastada e mole que deve até ser considerada sexy por alguma espécie de macho à qual eu decididamente não pertenço. A maioria delas me lembra muito aquelas coisinhas “fakes” saídas de um Big Brother Brasil: "Ai, Biaaaaaalllll........". O que foi, minha filha, tá gozando ou tá enfartando?!

Dia desses, travei um diálogo bem interessante com um camarada meu que já malha há algum tempo, faz Jiu-Jitsu, Muay Tai e o caralho e, só pra me esculhambar de vez, toda vez que o vejo e ele vem falar comigo, está sempre sem camisa (mesmo no inverno), só para me mostrar o peito rasgado e a barriguinha de tanque. Até o cachorro do sujeito (um Pitbull, como não poderia deixar de ser) entrou numas de vida saudável: faz caminhada uma vez por dia, pode?

O amigo saradão: Pô, cara, por que você fuma e bebe tanto?
Ed, o esquelético: É pra acalmar o sistema nervoso, rapaz.
O amigo saradão: Pô, cara, pára de brincar com a sua saúde! Pô, cara, vai fazer um exercício!
Ed, o esquelético: Mas fazer exercício pra quê, meu rapaz?
O amigo saradão: Pô, cara! Pra ficar sarado! (Juro que se ele repetisse esse “pô, cara” mais uma vez, eu dava um bico nos bagos dele.)
Ed, o esquelético: Mas eu não estou doente, meu querido.
O amigo saradão: Hã? (Tentar explicar pra ele o que é polissemia estava fora de cogitação, concordam?)
Ed, o esquelético: Meu rapaz, veja bem: o corpo humano foi feito para fatalmente se desgastar um dia, de uma forma ou de outra, certo?
O amigo saradão: Hã?!? (Coitado! Muito GH no cérebro, talvez.)
Ed, o esquelético: (sarcasticamente) Pois é, meu querido! Eu tento usar o meu corpo o mínimo possível para não levá-lo ao desgaste desnecessário antes do prazo de vencimento! Por isso, evito os exercícios. É a lei do menor esforço, entendeu?
O amigo saradão: Mas pô, cara! (Putz! Ele falou de novo!) Pra você ter um corpo malhado nem é preciso fazer tanto esforço. Hoje em dia tem os aminoácidos.
Ed, o esquelético: Aminoácido, rapaz??!!! Você sabia que os aminoácidos são substâncias compostas pelo grupo amino e o grupo carila (ácido carílico) em suas estruturas e que - embora sejam nutrientes que representam a fonte da vida e desempenham importante papel para a obtenção das proteínas necessárias ao bom funcionamento do organismo, sendo conhecidos 22 no total somando-se os 8 essenciais e os 13 não-essenciais - a ingestão dessas mesmas substâncias em demasia sobrecarrega os órgãos do corpo, como o fígado e rins?
O amigo saradão: Hã??!!! (Putz! Peguei pesado! Acho que acabei por destruir de vez um cérebro já comprometido.)

Confesso que uma vez, por um descuido das minhas faculdades mentais, até já tentei me tornar um saradão. Comprei uma porrada de aparelhos: mesa com supino e voador, halteres, anilhas, esteira, bicicleta ergométrica, etc. Uma parafernalha só! Mas, não sei por que, meu instinto de sobrevivência me advertiu a tempo que eu estava prestes a entrar numa furada. A parafernalha acabou cheia de ferrugem e poeira no terraço aqui de casa. Outra vez, cheguei mesmo a aventar a possibilidade de entrar para uma academia. Fiquei paradão lá na frente da mesma, olhando aquelas máquinas bonitas, aquelas pessoas saradas e suadas... Mas então, uma voz vinda do além me sussurrou ao ouvido: “Ed, tu vieste a este mundo para ser um moleirão flácido e esquelético e é assim que sempre serás. Cumpre tua sina, meu rapaz.” E desde então não desobedeço à sapiência dessa voz, que sou um sujeito que sempre primou pela sensatez e pelo bom-senso. Também já tentei parar de fumar e de tomar meu chopinho, mas devo confessar que sou mesmo um fraco que não resiste aos prazeres da nicotina, nem da cevada e do lúpulo. Mas sei bem que chegarei aos meus 90 anos tendo desfrutado de tudo que há e que ainda há de haver de mais moderno em matéria de fazer mal à saúde, e isso sem arrependimento algum. Se isso serve de conforto aos meus detratores, eu achei meu exercício ideal (e acredito que deva funcionar para a maioria também): a atividade cerebral... Garanto: essa parte do nosso corpo existe mesmo! E se for bem exercitada, nos garante um sorriso maior e até um certo ar de arrogância simpática... Quer saber? Espeta um alfinete nos saradões pra ver o que acontece! As gostosonas popozudas, invariavelmente, engordam; os saradões se mostram medíocres e mal educados. Ah, na boa... Deixem-me aqui com minha bunda flácida, minha barriguinha em cascata e meu corpinho “na capa do Batman”. Enquanto meu intelecto estiver em forma, estou cagando para os saradões e para as gostosonas popozudas. Meu esteróide predileto ainda é discernimento conquistado pelo conhecimento; meu fitness por excelência ainda são um bom livro, um bom filme e um bom papo-cabeça.

Parafraseando a nada sarada e inteligentíssima Rita Lee, nem toda brasileira é bunda; nem todo brasileiro é bundão!



Em tempo: não sei se os caros leitores repararam, mas mudei o layout do meu blog. Desisti daquele anterior azul e meio aviadado e optei por algo mais clean.

Se bem que essa história de clean é algo meio aviadado também, né? Ih, me fudi!
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