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10.12.08

Meu vexame de amor por Zach Condon

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Recentemente, por conta das chamadas da Globo para a nova microssérie, Capitu, fui tomado de uma paixão louca por uma voz... Aquela voz e aquela harmonia musical ficaram martelando em meus ouvidos. Fui pesquisar. Descobri Beirut e seu líder, Zach Condon: a paixão só fez se confirmar. A princípio, pensei tratar-se de uma banda folk do leste europeu, tamanha era a influência de sons e instrumentos que compunham o som dos caras, algo com forte característica da música dos ciganos. Logo depois, descobri tratar-se de um garoto, sim um garoto, de 21 anos de idade: a paixão tomou ares de obsessão...

A história de Zach Condon é, no mínimo, sui generis: por volta de seus 15 ou 16 anos de idade, deixa a sua escola em Santa Fé, Novo México (EUA), e parte para a Europa para conhecer novas e diferentes culturas. Durante dois anos convive apaixonadamente com a cultura italiana, francesa e, principalmente, toda a cultura dos Bálcãs, onde conheceu os membros da orquestra de Boban Markovic (a mais influente banda de folk cigano de toda aquela região). Ao regressar aos EUA, edita em 2006 dois EP’s - Lon Gisland e Elephant Gun - e, logo depois, um LP (sim, um LP) que reúne a maioria das canções desses EP’s de estréia - Gulag Orkestar - sob o nome Beirut, banda que conta também com Jeremy Barnes e Heather Trost, entre outros. O som do Beirut é inspirado nas diversas culturas européias que Zach conheceu na sua "digressão" e o registro folk balcânico está bem presente na maioria das suas músicas.

O seu primeiro single, "Elephant Gun" (essa mesma música da chamada da microssérie Capitu e que me encantou antes mesmo de eu saber quem a cantava), rapidamente se tornou um sucesso na comunidade indie mundial e o videoclipe ilustra bem a alma festiva da música, bem como o carisma singular de Zach Condon:



O segundo single, "Postcards From Italy", apaixonou mais pessoas pelo mundo inteiro e globalizou a música do Beirut. O clipe tem algo de nostálgico e retrata memórias da própria vida de Zach:



Os dois vídeos foram dirigidos por Alma Har’El, diretor israelense que, entre outros trabalhos, andou produzindo videoclipes também para Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters; para os Rolling Stones e para a Nikka Costa. Sobre sua parceria com Zach, logo após o lançamento do clipe de "Post cards from Italy", ele disse: "The young Zach Condon will be in my mind for the next few months."

O mais curioso do trabalho do Beirut é observar como um rapaz de apenas 21 anos pode ter tamanha sensibilidade, cantar com a alma, criar arranjos tão belos? Zach Condon gravou o seu primeiro álbum no seu próprio quarto. Intrigante pensar que um moleque tão jovem poderia compor e escrever canções de carga emocional tão forte, como se já tivesse vivido uma vida inteira quando na realidade não tinha ultrapassado sequer um quarto dela. Aí em seguida a gente vem a descobrir que ele nunca tinha pegado em todos aqueles instrumentos antes. Com seu espírito autodidata, Zach juntou tudo e foi tirando os sons que podia, buscando beleza e inspiração de pequenas notas até formar canções. Ou ouvir Gulag Orkestar e os dois EP’s de 2006, toma-se um susto. São tantos instrumentos e harmonias, com uma voz sofrida de quem realmente sente tudo aquilo que canta, que é impossível não se deixar seduzir pela sofisticação e beleza das canções. A atmosfera étnica é tão miscigenada que não tem como ter certeza de onde aquilo tudo poderia ter suas raízes enterradas; só uma ligeira desconfiança de que vinha lá do outro lado da Europa, das ruínas do pós-guerra em algum pequeno país da ex-Iuguslávia ou de ruas vazias de alguma cidade soviética esquecida após a Guerra Fria.

Beirut é algo mágico, que acende e acaricia a sensibilidade, que passeia na alma e expõe a ferida, é diferente e encantador. Em 2007 lançaram mais um EP, Pompeii, com três temas originais. Em agosto de 2007, lançam na internet o seu mais recente LP - The Flying Club Cup, onde Zach se mostra um músico mais maduro, mas não menos fantástico. The Flying Club Cup é o primeiro trabalho do Beirut como uma banda completa. Com produção mais caprichada, o novo disco traz a sonoridade mais para o oeste europeu, mostrando características e traços franceses. A inspiração inicial veio de uma foto que Zach sempre manteve nos estúdios pelos quais passou: a imagem de balões sobrevoando a torre Eiffel. Zach capricha na voz nesse segundo trabalho; chora menos e canta mais. A percursão foi enriquecida, com a ajuda da banda, é claro, e soa menos repetitiva. Pra afrancesar tudo ainda mais, tem o acordeão. É fechar os olhos e a gente parece ouvir o Rio Sena bem do seu lado.

Deixar de ser apenas uma pessoa para se tornar uma banda não levou embora, de maneira alguma, a personalidade do Beirut. A nostalgia e melancolia de Gulag Orkester ainda estão presentes, porém com a sofisticação orquestral de canções como "A Sunday Smile" e "In The Mausoluem". Esta segunda é impressionantemente linda:



A composição dos arranjos de cordas teve ajuda de ninguém menos que Owen Pallet, o homem por trás do Final Fantasy (não o desenho, por favor; falo do projeto canadense de orchestral-pop). Outro destaque do disco é o piano, como nas faixas "Cliquot" e em "Un Dernier Verre (Pour La Route)", onde, com notas graves, carrega a música sob os vocais de Zach. No outro extremo está a simplicidade e despretensão de canções como "Forks and Knives (la Fête)" e "Cherbourg".

Com humores que flutuam entre a tristeza e a saudade, The Flying Club Cup é um álbum intenso e arrebatador. É trilha sonora perfeita para momentos marcantes. E é justamente a terceira faixa, "A Sunday Smile", que nos revela isso. Afinal, um sorriso num domingo, o pior dia de todos, deve ser realmente em razão de algo muito especial, um acontecimento.

14 comentários:

Altair disse...

ED,
BELÍSSIMOS VÍDEOS.
MULHERES ESTONTEANTES.
ABRAÇOS

devaneioseloucuras-raquel disse...

Adorei!!! Já li esse livro 3 vezes. Escrevi uma monografia falando sobre a solidão de Bentinho.
Essa história me toca profundamente, e a música tocou da mesma forma. Adorei ter recebido a indicação do seu blog no meu -email e ter me deparado com a música aqui.

Apaixonei-me pela música assim com já sou apaixonada pela história.

Certamente voltarei aqui para ler melhor seus textos.

Abs
Raquel

Fábio N. Hasegawa disse...

Olá Edmilson!!
Parabéns pelo post!
Fiquei intrigado da mesma que você com relação a música da "microsérie", que aliás está muito bem produzida, e acabei conhecendo um ótima banda e um ótimo Blog.
Abraços
Fábio

Renata disse...

Tio Ed eu realmente te amo!
Estou enlouquecida por essa canção desde que começou a miniserie. Estava desesperada para saber de quem era, ela me causa sensações estranhas que eu não sei bem explicar...
Adorei conhecer a banda!
Adorei conhecer seu blog, que até então não tinha visitado ainda...
Beijos,
Renata

Ana Gabi disse...

Ótimo trabalho de pesquisa, viu?!
te achei na comunidade do Machado de Assis no orkut.
Essa banda ta me fascinado, viu?
musica perfeita!


;)

Benites disse...

Excelente texto. Eu não conhecia o Beirut. Aliás, ultimamente minha cultura musical tem se tornado muito limitada em função de ler muito e não mais ficar ouvindo rádio. Acho que terei que voltar a estudar e ler com um som no ouvido como fazia na década de 80 ouvindo Queen e estudando ao mesmo tempo.

anacarolina07 disse...

A música me emocionou...a minissérie emocionou....Machado é atemporal...

manuela disse...

Parabéns!Adorei =)

Também conheci a Banda atravez da Capitu.Me apaixonei com o senario, com o elenco e com a trilha sonora.
Agora sou fã de Beirut!

Abraço..

JWCL (Jorge Willian) disse...

QUE LOUCURA O SOM DO bEIRUTE. A melancolia (incluindo o da percussão do instrumento melancia) é belíssima. A tristeza sonorizada e o esporro sonoro nos invade e me faz lembrar de algumas bandas dos anos 80 (pelo menos nesse misto de sonoridade melancólica e de alegria de poder ouvir o artista). Lembro, por exemplo, da nossa Legião urbana e da The Smith (é assim que se escreve?.

ludmilapuntel disse...

Edimilson,
Estava eu a procura de informações da banda Beirut e me deparei com o seu blog.
Gostaria de parabenizá-lo pelo texto e pelas informações precisas que eu obtive com o seu blog sobre a banda.
Parabéns pelo blog e pelo seu gosto musical
Ludmila Puntel

Anônimo disse...

pretty cool stuff here thank you!!!!!!!

Anônimo disse...

I admire your blog , it has of lot of information. You just got a perennial visitor of this blog.

jessica dos reis disse...

dez de que ouvir a musica de zach na miniserie algo mudou dentro de mim eu tinha 14 anos e sentir que eu estava apaixonada pela aquela voz tao profunda que viaja na minha cabesa e que nao me deixa esqueser hoje tenho 17 anos e ainda cinto mesmo nao sei oq acontese comigo mas e como se sentise uma saldade tremenda quando ouso as musicas de zach e nao sei de onde vem e como chegou aqui dentro do meu coraçao so sei que faria tudo para olhar o teus olhos e tambem olhar os meus para te perguntar se sentiu de algunha manera algo quando me olhar sinto uma ligaçao tao profunda que acho que zach e minha alma gemea , e eu o amo sem nem mesmo o conheser queria saber mas sobre a vida de zach em tao ta ai meu email jjjessicamg@hotmail.com sou de minas gerais de uma cidadezinha chamada coromandel espero respostas do dono do blog assinado jessica

Renata Policarpo disse...

Gostei.

x)

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