"Você vê os meus cachos? Me olhe de novo"– diz a propaganda idiota.
Por que eu iria querer olhar só pros seus cachos? Se você for realmente interessante eu vou te olhar é de qualquer jeito, mesmo você sendo careca, sua cacheada superficial do cacete! Porra, é foda! Mas quando o assunto é publicidade de cosméticos, por que as mulheres são sempre ridicularizadas?
Ou será que não é o Brasil patriarcal (e o mundo inteiro, notadamente a ocidentalidade) que estaria precisando de um cremezinho para as rugas????? Putz! A noção de beleza feminina está mais muxibenta que meu saco!!!!! E tome Revlon, e L’Oréal, e Herbal’s Life, e Avon, e Natura e o cacete! E a perguntinha incômoda: “Querida, você já pensou em emagrecer enquanto dorme?” Ao que a minha amiguinha Daia respondeu hilariamente:
“Sim, eu já pensei em emagrecer enquanto durmo! Também pensei em fazer luta-livre enquanto cago, em aprender russo, tcheco e aramaico enquanto assisto à tv, em fazer mestrado e doutorado enquanto ando de ônibus, e inclusive desenvolvi uma técnica muito interessante que me permite almoçar e escovar os dentes simultaneamente...”
Hahahahaha... Valeu, Daia!
Aí vieram me perguntar por que eu enalteço tanto a mulherada. É citação aqui no blog, é depoimento, é poema e o escambal... Ora bolas, por quê... Bom, primeiro porque elas me paparicam. E eu adoooooro ser paparicado. Sim, mesmo tendo sido um cara sempre muito independente e auto-suficiente, eu adoro. Mamãe me paparicava, minhas irmãs me paparicam, e as moçoilas que conheci vida afora sempre me paparicaram também. Sempre me encherem de mimos, cafunés e beijinhos gostosos. Aí, o neguinho aqui se derrete todo. Que essa porra é bom demais!!! E o mané aí que não gosta de um paparico, que atire a primeira pedra. (Vai! Pode atirar, seu puto! Ainda tenho certa flexibilidade e reflexo para me abaixar ou me desviar numa guinada rápida na hora exata da pedrada) Segundo - e talvez mais importante - porque mulher é foda, meu camarada! Não tem jeito: bobeou, dançou. Elas têm a porra do tal do sexto sentido, saca? É. Parece que te adivinham. Te sacam no primeiro olhar. Te reviram por dentro e te põem a nu sem piedade. Eu é que não serei burro de entrar num embate com elas. Vou perder bonito!!! É a velha história: se não podes vencer teu inimigo, junta-te a ele. Eu tô é do lado delas mesmo. Vou enaltecê-las sim e colocar meu rabinho entre as pernas que eu não sou besta.
Mas também é o seguinte: eu não embarco nesse papo babaca de divinizar a mulherada só por causa do seu ventre não. Esse é mais um dos malefícios reducionistas da mentalidade patriarcal, ocidental, judaico-cristã. Por conta desse papo é que puseram, durante muito tempo, a mulher num pedestal bem alto, mas esqueceram de colocar uma escadinha ali ao lado para o caso de ela querer dar uma descidinha de vez em quando (nem que seja pra dar uma mijadinha). Tiveram que pular, coitadas! E além do mais, por esse prisma, as mulheres que não podem engravidar então não teriam nada de divinas, né? Porra! Sacanagem! Quer saber? Santas e putas deveriam ser todas as mulheres. E esse é que o barato da coisa. Elas são santas enquanto putas. E putas enquanto santas. Nós, ou somos putos ou somos santos. Homem não tem meio-termo: essa é a mais triste das verdades. Nós temos é meio-das-pernas, para onde parece termos canalizado a presença ou a ausência da santidade ou da putaria. E o meio-das-pernas não admite meio-termo. Ou tá mole ou tá duro. Não riam: é sério! Mulher parece não nos exigir tanto o meio-das-pernas e, ao mesmo tempo, parece não abdicar dele: é isso que nos funde a cabeça. Mas vai lá! Ainda assim estou com elas. Como eu já disse, eu sou sensato.
Hoje, por exemplo, eu fiz uma mulher feliz. E olha que nem foi por causa do meu pau (que, modéstia à parte, é bem acima dos padrões). Fiz uma mulher feliz porque lhe toquei os sentidos (não sei se o sexto ou qual outro). Escrevi-lhe um poema. E nessa história de escrever, parece que a gente se aproxima um pouco mais da feminilidade. Não sei, mas eu sempre achei que o dom da palavra é primazia das mulheres. Moacyr Scliar também achava isso ao nos brindar com seu delicioso e satírico livro A mulher que escreveu a Bíblia, onde uma mulher do nosso tempo submete-se a uma terapia de vidas passadas e conclui que numa encarnação anterior, há três mil anos, foi ela que escreveu a primeira versão da Bíblia. Legal seria se fosse verdade, não? Nossa! Muita coisa poderia ter sido diferente.
Mas sim, fiz uma mulher feliz hoje ao lhe escrever um poema. E outros já escrevi para outras mulheres. E outros continuarei a escrever. Aqui mesmo neste blog, vocês, caros leitores, já tiveram a oportunidade de ler duas homenagens a duas mulheres incríveis: a Miriam e a Divina. Agora faço mais quatro beldades felizes: a guerreira Celeste lá na França (que num conto de fadas ao avesso, viu seu príncipe transformar-se em sapo, e sapo feio), minha grande amiga Filomena (Filó, Fifi, Fiona, como queiram), a linda Isabel (ou Sininho ou Bel, ou BELdade) e a forte Valéria Olivier (a Val).
À parte toda essa babaquice sem sentido que falei aí em cima, saibam, mulheres, que adoro vocês!!!!
DEPOIMENTO A CELESTE
Petite fille venue du cielaérienne, cosmiqueLa voûte elle-même qui nous recouvreCouleur bleu céleste, azurDemeure céleste, paradisManne céleste, nourriture de l'âmeVoix céleste, chant pour nos oreillesArmée céleste, ange, angellus,messagère divine à caractères humainsCeleste... c'est l'estc'est l'ouestc'est le nordc'est le sudVoilà mon amie Céleste!(Edmilson BORRET - Junho de 2006)
DEPOIMENTO A FILOMENA
FILÓ...FILÓ...FILÓ...FILO-sofia pura...FILO-logia do linguajar quotidiano...FILO-dermia no toque suavedas mãos de fada...FILO-genia das idéias abstratas...FILO-neísmo sempre crescente...FILO-tecnia digna das musas..Teu nome é prefixo dos mais belos,significando amiga e amante.Teu nome é também espécie de tecido leveque cobre a candura e a pureza das mulheresem forma de véu.FILOMENA, teu nome é homenagem a santa virgem mártir.Rendo homenagem a essa grande amiga,conhecida aos poucos,em gotas homeopáticas e eficazes.Confesso minha FILOginiaaos pés dessa grande e maravilhosa mulher!!!Ave, Filó, gratia plena!
LUMENA - pax cumte - FI!(Edmilson BORRET - Agosto de 2006)
VESTIDA PARA NÃO SE MATARa Isabel Goulart
Cobre teu corpo de pedrarias e ouroTua boca, do mais sensual carmimNos teus olhos, o mais fino delineadorA sombra mais provocativaO rímel mais ousado que possuíresUm vestido do mais caro tafetáQue te revele as ancas de deusa pagãE o colo de santa no altarDecerto que te cairá bemCobre tuas pernas com a sedaDa fina meia que as reveleE teu sexo, com a textura da renda brancaCobre-te de sensualidade propositalNão te cubras mais de doresTemores e perdidos amoresJá tens por oraTuas cólicas, teus mênstruosPara que buscar mais?Não cubras mais tuas noitesDe infrutífera e vã vigíliaNem tua garganta da securaDas pílulas e gotas -Esta merece o calor redondo e macioDo mais caro vinhoOu do mais abusado champanhe...Cobre-te de estima e zelo, mulher!E a nós seja dadoCobrir-te de admiração e desejoE se te ferirem o coraçãoFura aos olhos do insanoCom o salto do scarpinQue te emoldura os pés de gueixaQue uma certa crueldade vingativaSó fará por te acrescerMais charme e sedutora beleza...Sim, cobre teu corpo de pedrarias e ouroE teus sonhos, cobre-os de cuidados...(Edmilson BORRET – Outubro de 2006)
VALÉRIA NÃO GOSTA DE CHÁ DE PANELAa Val OlivierValéria não gosta
de chá de panelanem chá de cadeiranem chá de cidreiraValéria quer mesmoé despedida de solteiracom gatos em sua soleiraPaus de cenoura, tomate e bombrilé coisa de Amélianão é de ValériaNão se é puta porque pariuNão se é santa porque não abriuEntre a puta e a santade norte a sul do Brasilhá alma de Valérias tantae homem sem alma não ver fingiuMas Valéria ainda cantae leciona e cozinha e desenhano tecido de materna mantarosas vermelhas e girassóisE palavra doce empenhano linguajar de seus lençóisValéria amou, namorou, casoue em filosofia de biscoitoValéria um dia se perguntoudo nada no meio do coitose mais deu porque recebeu(mulher perguntando desmonta a gente)ou só recebeu porque enfim deuResposta não tendoou a tendo de meia-solaValéria deu mais linha à pipaPouco não querque é mulher de escolaE cara a cara com a feraValéria se fez mais belaDe boazinha fez-se boae não gosta mais de chá de panela.(Edmilson BORRET – Novembro de 2006)