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9.8.08

Se a preguiça é um dos 7 pecados, eu quero mais é queimar no inferno... Ave, Macunaíma!




Essa coisa do mundo lá fora anda me dando uma preguiça danada... Ou talvez seja eu que, no fundo, nunca tive muito talento para as coisas do mundo lá fora. Ou, decididamente, i’m not the man i used to be...

Até mesmo escrever aqui neste blog é algo para o qual tenho tido cada vez menos saco... As postagens têm se tornado cada vez mais raras, como raros têm se tornado meus cabelos, minhas ereções e minhas idas a um puteiro... Muito chato esse negócio de escrever bonitinho, avisar aos amigos (“Postei lá, você viu?”), aguardar um ou outro comentário inteligente ou delicado e gentil por pura educação... Enquanto isso, tem uma galera por aí fazendo dinheiro a rodo (Bruninha Surfistinha, cadê você, minha linda?) e eu aqui querendo salvar a humanidade com belas palavras que toquem ao coração e à alma dos ímpios. O Marco Aurélio Góis dos Santos, em seu Jesus, me chicoteia!, é que parece ter razão. Segundo ele, uma das várias divisões possíveis da população mundial seria a que se observa entre os que têm dinheiro e os que sabem escrever. “São dois grupos bem distintos, e desconheço qualquer intersecção entre eles (“E o Paulo Coelho?”, alguém dirá, o que só serve para reforçar minha tese). Vez por outra o primeiro grupo precisa dos serviços do segundo. Para isso, mostram-se dispostos a abrir mão de uma ínfima parcela de seu rico dinheirinho em troca de meia dúzia de frases mais ou menos bem alinhadas.”

Tá... Mas vamos parar de blá-blá-blá e vamos ao que interessa (se é que algo ainda interessa nessa merda toda aqui). Até porque já estou com a bunda achatada de ficar tanto tempo aqui nesta cadeira e, para um fumante-velho-sedentário-moleirão como eu, muito tempo sentado é risco de hemorróidas na certa (e até o fim da vida, não quero mais ter que encarar o dedo médio, que de médio não tem nada, daquele meu proctologista safado, tarado, de riso sádico). Como não tenho nada mais picante ou contundente sobre que falar, falarei da minha semana, essa aí que acabou. Semaninha boa de retorno às aulas, os anjinhos voltam todos de baterias recarregadas. Aposto como dedicaram boa parte desse recesso escolar imaginando maneiras novas de infernizar a vida dos babacas dos professores e funcionários do colégio... E eles se esmeram cada vez mais; é impressionante a criatividade que esses “mulekes” têm: Bin Laden e os integrantes das FARCs ficariam de queixo caído... Mas eles são uns amores. Eu os adoro. Como, entretanto, nenhuma bomba foi deflagrada na unidade escolar, nenhuma cadeira ou carteira voou em sala de aula, nenhum “peido alemão” foi jogado sorrateiramente no pátio durante o recreio, nenhuma mãe de aluno enfurecida veio arrumar barraco na Secretaria; então não tenho muita coisa a falar aqui sobre esta minha semaninha no colégio... Ah sim, a não ser que alguns de nós, professores e funcionários, passamos uma semana mais felizes que pinto no lixo, por conta de uma grana extra que o pilantra do César Maia resolveu finalmente nos pagar após quase um ano de promessas... Sabem como é, né? Proximidade das eleições, o caras também se esmeram... Mas os alunos continuam sendo mais adoráveis...

E, por falar em eleições, meu grande amigo Altair ficou puto dentro das calças essa semana porque o Supremo decidiu que o candidato processado por suspeita de irregularidade, mesmo ainda sem culpa provada, não ficará impedido de concorrer no certame eleitoral. Mas o cidadão comum não pode fazer concurso quando tem processo na justiça, mesmo que a sentença não tenha sido ainda transitada em julgado. Realaxa, Alta, isso são coisas do nosso impávido colosso deitado em berço esplêndido!

Teve também a abertura dos jogos olímpicos lá na China, né? Porra! Aqueles amarelos comedores de broto de bambu deram show! Chorei baldes com o espetáculo. Comenta-se por aí que tenha sido talvez a melhor abertura de olimpíadas de todos os tempos. Também pudera, né? Se os carinhas lá errassem um milímetro que fosse na coreografia ensaiada, seria porrada na certa. Povo incentivado é outro papo... Aliás, muito estranho o povo chinês... Não sei por que, mas não me convence muito aquele risinho feliz e cordial deles...

Essa semana também, em uma conversa com meu grande amigo Wendell pelo MSN, ele me fez uma pergunta altamente desconcertante: queria saber se eu acreditava em paixão. Não a paixão por um time, por uma causa ou por uma atividade; mas aquela paixão das novelas e filmes açucarados que dizem existir entre homem e mulher. E aqui devo explicar por que a pergunta me foi desconcertante (e olha que ele me fez uma outra pergunta, que não revelarei aqui, que para a maioria das pessoas poderia ser considerada bem mais desconcertante). Desconcertou-me a pergunta nem tanto pela pergunta em si, mas mais pelo momento que estou vivendo. A questão é que cheguei aos 41 faz pouco mais de 2 semanas... Ok, ok.. 4.1 turbinado e total-flex, mas ainda assim 4.1... E isso assusta. A vidinha da gente parece incansável e maravilhosa aos 20 ou 30 anos. Ok, admito: até é mesmo. O foda é que 10 ou 20 anos depois já não parece tão maravilhosa assim, muito menos incansável. Há uns 10 ou 20 anos antes, eu juro que achava que estava na melhor fase da minha vida. Podia saltar montes, virar cambalhota, plantar bananeira, chupar meu próprio pau, dizer “foda-se” para tudo e para todos, notar coisas diferentes em mim, em minha aparência e em meu pensamento. Aos quarenta, todo homem se defronta com a fatalidade da sua decadência. Ele sabe o que ele vê: estou velho! E veja que não estou falando: "estou ficando velho", mas "estou velho". E isso é um fato e pronto. A patuléia do senso comum insiste em dizer que com a "maturação" (para mim, “decadência”) o homem se torna mais sedutor e mais exigente. Ah, vai cagar no mato! Sedutor como? Se os cabelos rarefazem ou embranquecem, se os dentes amarelam, se a barriga cresce, se a pele enruga nos cantos, se o pinto começa a ter crises existenciais, se a simples menção de se pintar ou fazer um aplique nas madeixas começa a parecer algo tão risível. Sedutor é o caralho! Decididamente, isso é uma concepção Global de homem-adulto. O homem, a partir dos 40, é um espectador mal disfarçado da vida. Está treinando para seu papel futuro: segurar as bolsas das moças, olhar as meninas pulando, olhar casais trepando no apê em frente pela desconfortável fresta estreita do basculante, se amontoar na “night” junto com os outros bêbados adultos e sentir-se um vira-lata diante do frango de padaria (gosto muito dessa comparação... foda-se se não é inédita pra você)... enfim, fazer tudo o que já fazia quando moço mas que podia dechavar comendo uma ou outra namoradinha esporádica num puta semi-árido de punheta e suplício sexual. Mas tudo bem: como já deixei claro numa postagem anterior aqui mesmo neste blog, a velhice tem lá seus encantos.

O que acontece, entretanto, para nós homens, é que a natureza dá ao macho a falsa ilusão de ter aproveitado sexualmente bem sua juventude para, logo depois, ter o prazer de puxar-lhe o tapete e revelar o inverso para seu pobre brio alquebrado: eis o crepúsculo do macho (diferente daquele de que fala o Gabeira). Já as mulheres são outro papo: elas sempre aproveitaram mais! Mesmo as feias e barangas tiveram uma vida sexual mais honrada (“honrada” no sentido de proveitosa) e o pobre macho seguiu esses anos todos se achando o rei da cocada preta. Elas já chuparam, deram o cu, gozaram algumas vezes e outras não (claro!), transaram na água, na praia, no elevador, no chão do escritório, em sanitário público, com outras mulheres, com borboletas vibratórias, com vibradores, com pillots, bonecas, com uma ou mais amigas, com dois ou mais homens, com equipamentos variados, sozinhas (já falei isso), na igreja, na danceteria animada, na zona, enfim em qualquer cafofo digno ou indigno do planeta. E depois ainda se fala em inveja do pênis!!!! A inveja do pênis é uma falácia de psicanalistas homens... O que existe, no duro (sem trocadilhos), é a inveja da buceta. Mas esse sentimento homem nenhum confessa. E o homem que ler isso aqui vai se emputecer comigo (aposto meu fiofó), mas se tiver coragem vai ver que é a mais pura verdade... Elas vivem suas vidas. Aparentemente desvinculadas do sexo. Aparentemente!! E transam o quanto podem na hora que bem quiserem. E nós, pobres machos, somos só afortunados se estamos na hora certa, no lugar certo e com a disposição necessária pra meter na gorduchinha (ou na magricela, se for o caso).

Bem, muita gente mais letrada que eu (e pseudo-letrada também), gente de discurso psicanalítico, gente analisada, de papo-cabeça, diz tudo isso aí que eu disse; mas não do modo como eu disse... É que sou meio “gauche” mesmo, entende?...

É por isso, Wendell, que sua pergunta me foi desconcertante. É como eu disse lá em cima: essa coisa do mundo lá fora anda me dando uma preguiça danada... E aos 4.1, ando realmente meio sem saco para pensar nessas coisas...

Bom, mas, depois de amanhã, começa uma nova semana... Quem sabe, meu amigo, quem sabe?


Ok. Postagem feita, blog atualizado, posso voltar a navegar pelos sites de putaria.

1.9.07

Por trás de uma porta verde, há um diabo na carne da gente gritando do mais profundo de nossa garganta



"O único cinema real é o cinema pornográfico."

Jean-Luc Godard




Eram os primeiros anos da década de 80. Eu estava na faixa dos 14 ou 15 anos. Bigode na cara já, cara de homem feito, carteirinha do colégio adulterada, lá fui eu me aventurar naquele poeirinha do subúrbio de Madureira. Lembro-me até hoje daquele dia. Foi como um ritual de iniciação: o primeiro filme pornô (muitos viriam depois). Eu ali, no meio de todos aqueles homens: uns suados vindos do trabalho; outros cheirando a loção pós-barba (família, esposas e filhos esquecidos por algumas horas na sacrossantidade do lar); as mariconas velhas à espreita de uma oportunidade com os mais excitados... e eu ali, me achando o máximo, me sentindo um homem como todos eles, efetuando meu rito de passagem. Aos olhos do menino habituado até então aos “catecismos” do Carlos Zéfiro, às revistinhas suecas de cores fortes e mal impressas e aos romances proibidos de Cassandra Rios, a visão daqueles paus e bocetas enormes naquela tela também enorme foi como o descortinar de uma nova dimensão. Lembro-me de ter ficado excitado durante toda a projeção do filme, a cueca ensopada por um misto de pré-sêmen e suor... Ao chegar em casa, as duas punhetas seguidas foram inevitáveis... O filme em questão era nada mais nada menos que Garganta Profunda.

É dito que o primeiro filme pornográfico foi La Bonne Auberge. Rodado na Paris de 1908, o filme mostrava prostitutas interpretando a si mesmas em cenas de sexo explícito. Mas foi somente na década de 70 que houve o verdadeiro boom do chamado cinema pornô.

O grande responsável por alavancar a porno-indústria foi Gerard Damiano que dirigiu, entre 1972 e 1973, os dois maiores clássicos do gênero: Garganta Profunda (Deep Throat) e O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil In Miss Jones).

Em O Diabo na Carne de Miss Jones, por exemplo, Justine Jones foi uma mulher que morreu virgem e, por conta disso, iria arder no fogo do inferno (nada mais justo, se pensarmos bem). Mas ela consegue a permissão do Diabo para voltar à Terra e experimentar tudo aquilo que havia renegado em vida - incluindo bananas e cobras vivas. É, sem dúvida alguma, um dos filmes que transformou o pornô em gênero cinematográfico legítimo – Garganta Profunda e Por Trás da Porta Verde sendo os outros dois que eu colocaria na lista. Georgina Spelvin, a Miss Jones, apesar de um tanto passada (à beira dos quarenta anos, na época) convence como a solteirona virgem suicida que se converte, por artes do capeta, em deusa da luxúria. E a bela trilha sonora de autoria de Alden Shuman foi utilizada em comerciais e até em telenovelas da Globo.

Já Linda, de Deep Throat (Linda Lovelace interpreta a si mesma no filme), descobre que não atinge o orgasmo porque tem o clitóris na garganta, o que leva a moça a enveredar pelo que os antropólogos costumam chamar de "cultura oral". Garganta Profunda é talvez o filme pornográfico de maior sucesso de todos os tempos. Gravado em seis dias no mês de janeiro de 1972, em Miami Beach, escrito e dirigido por Gerard Damiano e estrelado por Linda Lovelace, teve um custo irrisório de 24 mil dólares financiados pela família mafiosa Peraino. Ele estreou três meses depois em abril de 1972 num cinema da Rua 42, em Manhattan, Nova York. Arrecadou só nos EUA cerca de 20 milhões de dólares, no mundo inteiro esse valor chega a 600 milhões. Por conta desse estrondoso sucesso, várias celebridades deram atenção ao polêmico filme: o cineasta Mike Nichols, o escritor Truman Capote, o ator Warren Beatty, o cantor Frank Sinatra, entre outros. Ele foi descrito pela revista Variety como o Ben-Hur do pornô e como O Poderoso Chefão do cinema erótico pelo presidente da Paramount, Frank Yablans. Garganta Profunda mudou a maneira de ver o cinema pornô, que a partir daí virou uma forma legítima de entretenimento.

Por Trás da Porta Verde (Behind The Green Door) é considerado o primeiro filme erótico para mulher que existiu. A personagem principal do filme é vivida pela loira Marilyn Chambers, que é seqüestrada e levada a um estranho clube de porta verde no qual ocorrem muitas depravações. O filme dá um show de direção e a história começa a ser conduzida de forma brilhante pela visão da mulher, na qual a antológica cena da orgia seria copiada de forma muito clara no filme De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick. Uma referência muito bem escolhida e acertada pelo sempre perfeccionista Kubrick.

É claro que as três histórias são inverossímeis, diria até viajantes demais, mas servem infelizmente de pretexto para toda a putaria mal acabada que rolaria a partir de então.

Mas o que importa aqui é salientar que esses filmes tinham histórias... e histórias até bem interessantes.

Lá pelos meados dos anos 80, entretanto, a filmografia pornô começa a abandonar os roteiros mais elaborados e parte pro "vamos-ver" da forma mais diretamente nua e crua possível (inevitável o trocadilho). Inaugurava-se aí a fase fast-food do cinema pornô.

Chegariam então os anos 90 e o século XXI. E, com o advento das locadoras de vídeo, da internet e da tv a cabo, tudo mudaria mais uma vez. Enredos, roteiros e histórias então cedem lugar a cenas estanques de poucos minutos, às vezes segundos. Envereda-se pelo filão de uma concepção funcionalista que acredita que a duração dos filmes não precisa ultrapassar o tempo da punheta mais afobada. E como se não bastassem os atores e atrizes (eu disse atores e atrizes?) de hoje em dia siliconizados, artificiais, construídos e depilados (o que são aqueles caras de saco raspado, meu Deus?!), o erotismo e a insinuação caem por terra de maneira broxante, e a gente experimenta a nostalgia de um tempo de inocência: aquele dos filmes de Gerard Damiano. Sim, de inocência... por mais paradoxal que possa parecer essa afirmação. Inocência nos olhos do menino querendo parecer homem naquele poeirinha de subúrbio... e até mesmo dos marmanjos que ali se encontravam. Naquela época, estávamos longe de imaginar que os atuais reality show, os programas de auditório e o entretenimento fácil e rasteiro que pululam na tv acabariam de forma tão infame com o efeito da surpresa e da sedução dos pornôs de outrora.

Pois se há um gênero merecedor de uma página especial e à parte, devido à polêmica que causa, este é o ramo do cinema pornô, tido muitas vezes como um cinema bandido, periférico e ordinário. Desmascarar este falso mito é mostrar que fazer cinema é fazer arte, independente do gênero e conteúdo. Há que se criticarem evidentemente os filmes que simplesmente exploram a sensualidade e recordar os que a mostravam de forma inteligente e com suas próprias razões de exibi-la. Pois não apenas os filmes devem ser inteligentes, as pessoas que a eles assistem também devem. É preciso ter olhos educados e exigentes, além de saber como apreciar este tipo de arte. A melhor maneira de se fazer isso é se desfazer de preconceitos babacas e desse sentimento de culpa que a sociedade tem em relação à questão sexual. Valores arcaicos que aliam sensualidade e sexualidade a algo impuro já deviam estar superados neste início de milênio. O erotismo sempre esteve ligado ao cinema de forma mais ou menos diluída. Esta junção de cinema e erotismo, com o passar do tempo, foi atingindo uma maior expressão, ainda que assumindo um falso caráter pecaminoso, buscando soluções inteligentes de criticar a imposição severa da censura. Devemos lembrar do diretor Russ Meyer, da década de 60, que soube aproveitar e criticar este "sexo culposo". Em seus filmes, as mulheres se faziam de puras para excitar o objeto de desejo, o que ocasionava um singelo estupro. Foi nos seus filmes, aliás, que surgiu uma das mulheres que se tornaria um ícone da época: a ruivíssima Uschi Digart, que estaria presente em várias capas de revistas famosas depois. Uma forma inteligente de que o diretor se utilizava para mostrar que a mulher, satisfazendo seus desejos, ainda assim não era culpada pelo fato ocorrido. A mulher pura querendo acabar com a repressão de seus impulsos. Bem, eu poderia também citar clássicos como A Bela da Tarde, de Luis Buñuel, em que Catherine Deneuve é Séverine - jovem rica e infeliz que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar. Ou mesmo À Procura de Mr. Goodbar , dirigido por Richard Brooks, em que a atriz principal Diane Keaton faz o papel de Theresa, uma mulher reprimida sexualmente que de dia dá aulas como professora de crianças surdas e, à noite, procura o prazer nos braços de homens desconhecidos. O talento de Diane Keaton mantém nossa atenção sobre o filme que foi indicado ao Oscar em 1978. O filme marcou também o primeiro trabalho substancial de Richard Gere e de Tom Berenger . Eram filmes ainda tímidos, mas importantes por chocar de maneira sutil e sensual.

Só nos resta a nós - os punheteiros "deslocados" e saudosistas - que gostaríamos de ver esta volta ao cinema pornô de qualidade, exigir cenas inteligentes, roteiros elaborados que justifiquem o erotismo em tela. Esperar que sejam mais bem selecionados os atores e as atrizes. E ver estes filmes com olhos apropriados. E pedir que, nos filmes pornôs atuais, as pessoas não façam apenas sexo, mas sim copiem, se precisar, a forma dos clássicos antigos nos quais as pessoas faziam amor.

Baixei nos emules da vida esses três clássicos. Foi muito emocionante assistir mais uma vez a esses filmes que povoaram minha imaginação de garoto nos momentos solitários. Obviamente que a excitação não foi nem um décimo da que experimentei anos atrás. Se o pau subiu, nem percebi. Donde concluo que eu também preciso resgatar a inocência de antes... Rever estes filmes trouxe uma nostalgia de mim mesmo...


Um presentinho para os leitores deste blog: a trilha sonora do filme O Diabo na Carne de Miss Jones, composta por Alden Shuman. Clique nos nomes das músicas para efetuar o download.


01. In the Beginning
02. Hellcat
03. I'm Comin' Home (muita linda, talvez a mais famosa)
04. The Teacher
05. Ladies in Love
06. Love Lesson
07. Beauty and the Beast
08. Walk With the Devil
09. Trio in the Round
10. Miss Jones Comes Home (reprise da 3ª música, também muito linda)
11. At the End

23.8.07

NÃO EXISTEM HOMOSSEXUAIS

Caramba! E eu que sempre tive opiniões tão arraigadas, beirando o extremismo, sobre o assunto!!!! Após a leitura do texto que segue abaixo, estou fortemente inclinado a rever meu ponto de vista... É algo em que eu realmente nunca havia pensado. E que inveja, meu Deus! Esse é o tipo de texto que eu gostaria de ter escrito.

Agradeço do fundo do coração ao amigo que me enviou e possibilitou que eu o publicasse aqui no meu blog... Embora eu possa estar incorrendo em ato ilícito, por estar ferindo direitos autorais, vale a pena correr o risco... Até porque não deixo de citar o autor nem a fonte. Espero que o autor entenda...




NÃO EXISTEM HOMOSSEXUAIS

Acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada

NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do “homossexual” como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?
A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: “homossexual” é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o “homossexual”. Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?
Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.
Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.
Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em “arte grega gay” ou “arte romana gay”. E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de “estatuária gay”. A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.
E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão.
Eu, se fosse “homossexual”, sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um “homossexual” verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.

(por João Pereira Coutinho)

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Fonte do texto

19.8.07

"Se meu mundo cair, eu que aprenda a levitar"




ENSAIO SOBRE ADÃO

Há cinco possibilidades. Primeira: Adão caiu.
Segunda: foi empurrado. Terceira: saltou. Quarta:
ao debruçar-se sobre o parapeito perdeu o equilíbrio. Quinta:
nada digno de nota aconteceu a Adão.

A primeira, de que caiu, é precária demais. A quarta,
medo, foi examinada e revelou-se inútil. A quinta,
de que nada aconteceu, não interessa. A solução é a alternativa:
saltou ou foi empurrado. E a diferença está apenas

na questão de saber se o demônio
age de dentro para fora ou de fora para
dentro: aí está
o verdadeiro problema teológico.

(Robert Bringhurst - Tradução de João Cabral de Melo Neto)



Realmente um puta problema teológigo. Ou seja, não tem “ou seja”: Adão, com certeza já prevendo que viria servir a posteriori para trocadilhos infames do tipo “eu vi Adão”, talvez tenha sido o primeiro neurótico ou psicótico de que se tem notícia na história da humanidade. Também, coitado, Eva andava lá pelo jardim das delícias vendo a uva já naquele tempo... Uva lembra cacho, cacho lembra bagos... bagos lembra bolas.... Putz! Safadinha essa Eva, hein! Depois ainda vieram com um papo furado de que foi maçã (era uva, pô!... toda criança que foi alfabetizada pela cartilha Sonho de Talita sabe disso!). Ou seja (agora tem um “ou seja”), enquanto Eva deliciava-se com bagos e cobras (a rapaziada já era chapa quente naquele tempo), o moçoilo dos trocadilhos infames burilava suas dúvidas existenciais para saber se saltava ou se era empurrado... ou se deixava que nele empurrassem (os trocadilhos não foram à toa, tá vendo?)... Pirou, coitado. Surtou legal.

A questão é que Freud, lá pelos idos de 1923 e 24 (isso é perseguição, hein!), preocupado com a questão do que a psicanálise teria a dizer a respeito da saúde mental, escreveu dois pequenos textos: Neurose e psicose e A perda da realidade na neurose e na psicose. Os dois falam basicamente sobre o mesmo tema: a tensa relação do eu com o isso, fonte das demandas pulsionais, diante das exigências do superego. No primeiro texto, Freud afirma que as neuroses e as psicoses são efeito de um fracasso das funções do eu na administração do conflito entre o superego e as pulsões. No segundo texto, ele avança um pouco mais e afirma que essas duas modalidades de sofrimento psíquico correspondem a dois modos de distorção da relação do sujeito com o real. Na neurose, sugere o viajandão, o eu está em conflito com as demandas do isso, em obediência ao superego e à realidade. Para atender às exigências destes dois senhores, o eu recalca as representações das demandas pulsionais do isso, perdendo ou deformando uma parte importante da realidade psíquica; ao mesmo tempo, para que a defesa funcione, o sujeito precisa conseguir ignorar todas as percepções da realidade externa que possam se associar à representação recalcada. No caso da psicose, é a relação com a realidade externa que se deforma, a cada vez que esta resiste a satisfazer a demanda pulsional, ou seja: a cada vez que se anuncia para o sujeito, como que vinda do real, a ameaça de uma castração que ele é incapaz de simbolizar.

Entenderam alguma coisa??!!! Não? Eu também não entendi porra nenhuma. O cara tava fumadão, não é possível! Mas achei o texto legal e profundo e resolvi colocar aqui pra vocês, caros leitores. Nem só de babaquices e viadagens se faz um blog, aprendam isso, ok? De qualquer forma, a passagem acima já nos dá pistas da real inquietação do nosso homem de argila. Eu tava tentando entender o que poderia ser esse “isso”. Mas atentando para os detalhes, observem que eu até mesmo sublinhei algumas palavrinhas-chave. Veja bem: enquanto a putinha da Eva ficava lá com os bagos da rapaziada e no tête-à-tête com a cobra (literalmente tête-à-tête), o camarada tinha que satisfazer a demanda pulsional do “isso” dele, oras! E quem tem um “isso” sabe que, quando o bicho começa a pulsar, a gente tem que dar vazão. Senão dá tilt. Só que no caso do nosso primeiro analisando da história, ele ainda tinha forçadamente que “ignorar todas as percepções da realidade externa” que se associassem a uma “representação recalcada” (palavras do fumadão). Ou seja, a tal da Eva, não obstante o sem número de uvas que andou vendo, devia ser feia pra caralho ainda por cima... E dá-lhe percepção da realidade ignorada, e dá-lhe representação recalcada... Mas a pulsação do “isso” tinha que ser satisfeita de alguma forma. A saída então era fechar os olhos e mandar ver na imaginação. No fundo, ele queria mesmo é que a mocinha lhe trouxesse logo a tal da maçã (eu continuo suspeitando que era uva), mas vinha-lhe sempre à mente o dedo acusador do Criador ameaçando-o com a possível “castração”. Castração entendida aí num sentido mais metafísico e filosófico, entenderam? Não? Bem, mas é isso... Daí então é que veio a fatídica queda. E até hoje não se sabe se ele saltou ou foi empurrado. E como resultado, nos deixou esse legado: a neurose e a psicose. Mais do que o “cair” mítico de que nos fala o gênesis de quase todas as religiões, acho que o pecado original, o legado que nos foi deixado, é justamente esse: nos tornamos seres neuróticos e psicóticos por medo da queda.

Mas o que é o “cair”, eu pergunto.

Também só fico na pergunta. Não achem que eu vou responder... Até porque eu também tô querendo saber. Cair, saltar ou ser empurrado... acho que tudo acaba sendo a mesma porra, se não soubermos manter a pose na hora H. É preciso classe e graça mesmo na queda. Minha adorada Maysa Matarazzo dizia: “Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”. Apesar de gostar muito da vozinha rouca dela e do estilo dor-de-cotovelo, eu prefiro ir mais além... Vou de José Miguel Wisnik mesmo... sobretudo quando ele diz: “Se meu mundo cair, então caia devagar”... Mas não é verdade? Pra quê a pressa, né não? E, diferentemente da Maysa, ele diz: "eu que aprenda a levitar"... Caramba! Levantar é mole, foda mesmo é levitar depois de uma queda! Há que se ter muita leveza de espírito, meus caros!... Grande Wisnik! Esse é dos meus...

Ótimo domingo a todos!


SE MEU MUNDO CAIR

Se meu mundo cair
então caia devagar
não que eu queira assistir
sem saber evitar

cai por cima de mim:
quem vai se machucar
ou surfar sobre a dor
até o fim?

cola em mim até ouvir
coração no coração
o umbigo tem frio
e arrepio de sentir
o que fica pra trás
até perder o chão
ter o mundo na mão
sem ter mais
onde se segurar

se meu mundo cair
eu que aprenda a levitar

(José Miguel Wisnik)

28.2.07

Sexualidade e repressão

EROS E PSIQUE

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades que vos foram dadas no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio Na Ordem Templária De Portugal)



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

(Fernando Pessoa)



(Eros e Psique - Rodin)


O Mito

Existiu uma filha de reis, chamada
Psique, que era belíssima, ao ponto de despertar a inveja da própria deusa do amor, Vênus. Enciumada, Vênus ordena a seu filho Eros que vá até Psique, disfarçado, e a faça apaixonar-se pelo homem mais horrendo e vil da terra, como desforra contra a beleza provocadora de Psique.
Quando Eros encontra Psique para cumprir a vingança, em obediência a sua mãe Vênus, descontrola-se diante da beleza da moça e, descontrolado, espetando-se nas próprias flechas, apaixona-se perdidamente por Psique. Os oráculos transmitem ao rei, pai de Pisque, a orientação de que ela deveria ser levada a um penhasco para viver dentro de um castelo à espera de um esposo. Eros aproveitava-se e à noite, disfarçado, passa a visitá-la para amarem-se, pedindo a Psique que não tentasse conhecê-lo, evitasse vê-lo ou saber seu nome, porque somente assim a relação se tornaria eterna.

As irmãs de Psique, invejosas, convenceram-na que tal amor desconhecido seria na verdade um monstro disfarçado, uma serpente, que a mataria em determinado momento. A ingênua Psique, acreditando, preparou-se com um punhal, para na próxima noite cortar a cabeça de seu amante, o incógnito Eros. Após amarem-se, como de costume, ela decidiu matá-lo enquanto ele dormia. Mas, quando, ao pegar uma lamparina e iluminar a figura para melhor atacá-lo, viu o rosto dele e descobriu que seu objeto de amor era o próprio deus do amor, lindo e jovem, e nada de monstro, segundo a invenção das irmãs. Eros despertou, por ter-lhe caído uma gota de óleo quente da lamparina e viu-se descoberto. Sentindo-se traído em sua confiança, partiu imediatamente em vôo, encerrando a relação com Psique.

Psique, desamparada, tenta o suicídio e decide afogar-se, mas é salva pelo deus
Pan. Este a aconselha a procurar uma cura para seu problema no próprio amor. Psique - que nada sabia sobre o plano de Vênus, a mãe de Eros - foi ao encontro dela, confiante, pedir apoio. A deusa mandou torturá-la de variadas formas, mas ao fim cedeu e decidiu entregar-lhe o filho caso cumprisse quatro tarefas:
1- Separar num dia uma montanha de sementes;
2 - Pegar a lã dourada dos carneiros do deus Sol;
3 - Pegar água de uma fonte guardada por dragões; e
4 - Descer ao mundo dos mortos e pegar a caixa com a beleza da morte e entregá-la a Vênus.

Todas as tarefas foram realizadas, com apoio de muitas forças sobrenaturais, de deuses aliados e compadecidos, mas ao encontrar-se na posse da caixinha que continha a beleza da morte, Psique não resistiu à curiosidade e cometeu a imprudência de abri-la. Nesse instante uma nuvem a faz cair em sono mortal. Enquanto isso tudo acontecia, Eros recupera-se de sua ferida e vai à procura de Psique, encontrando-a desfalecida. Com uma de suas flechas do amor, Eros desperta Psique. Casam-se, com a ajuda de Júpiter, e chegam a ter uma filha chamada
Volúpia.



Há alguns anos, usei este poema do Pessoa e o mito grego para trabalhar com os alunos do Núcleo de Adolescentes Multiplicadores. Queria, com isso, introduzir a questão da sexualidade na puberdade, o despertar da psiquê para as coisas do desejo e do sexo.
O desejo, desiludido com a traição da alma por, não confiando plenamente nele e tão somente nele, ter preferido dar ouvidos ao que os outros (a sociedade) diziam contra ele, resolve dela se afastar. E aí começa toda essa busca interminável, essa luta perpétua entre, por um lado, atender seu apelo e entregar-se ao desejo e, por outro lado, comportar-se como toda alma supostamente deveria, de acordo com o que se exige de sua pretensa castidade. Até o momento que os dois – desejo e alma – descobrem que um não pode viver sem outro, que ambos se complementam, que são um só... para além de toda e qualquer moralidade.
Eis o caráter repressivo que permeia o mito de Eros e Psique (sobretudo quando pensamos na "moralidade cristã", que tão calhordamente se apoderou do mito): dois seres, enclausurados num cubículo e em suas vestes, sem rosto, enlaçados pelas convenções. Encontro sem contato (as bocas não se beijam, beijam trapos) e sem intimidade, pois, no cubículo fechado e sob os panos que cobrem seus corpos e rostos, se descobre a presença da sociedade inteira, vigiando e controlando o pobre casal (o muro a ser vencido).
O que ocorre, porém, é que Eros e Psique não são dois entes separados perpetuamente buscando um ao outro, mas que são um só e mesmo ser: Eros (o desejo) habita Psique (a alma). No poema de Fernando Pessoa, percebemos isso claramente quando o príncipe destemido busca a princesa encantada para descobrir que ele era ela. Esse desejo de indivisão e de fusão perpétua (quase sempre impossível), o laço que une desejo e alma em terno e profundo abraço (o "processo divino que faz existir a estrada"), é a sexualidade humana, perpetuamente reprimida. E só nos livraremos dessa repressão no momento em que entendermos que quando o desejo nos bate à porta da alma, esta não deve nunca lhe ficar indiferente, temer-lhe suas intenções ou delas desconfiar, sob pena de ficarmos eternamente pela metade...

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