
E agora, José?
O fogo acabou
A noite pifou
E você não gozou
E agora, José?
Diante de seus olhos
desfilam em gritarias
algumas bichas em transe
enquanto outras
mais adiante
envaidecem cacetes suplicantes
E você ainda
tenta um negócio
em troca de sua boca
apinhada de murmúrios
com um pederasta
que na confusão
de luzes e faróis
desaparece deixando apenas
o cheiro do talco
E agora, José?
Cadê sua graça?
Seu jeans apertado
sua louca vontade
seu cinismo dosado
sua praça
sua pica de ouro
sua voz - e agora?
Em estado de
degradação pública
você espera, José
E se esconde de
policiais que investigam
seu corpo com olhos
de maledicências
Se você gritasse
Se você uivasse
Se você gemesse
Mas você não geme
Você é burro, José
De madrugada
sem ônibus que
o acolha e o leve
de volta à fantasia
do subúrbio imaculado
você caminha, José
Ora pisando em poças
de esperma despejado
ora esbarrando em
funcionários públicos
disfarçados pelo sono
você caminha, José
José, para onde?
(Edmilson BORRET)