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23.11.06

José revisited


E agora, José?
O fogo acabou

A noite pifou

E você não gozou

E agora, José?

Diante de seus olhos

desfilam em gritarias

algumas bichas em transe

enquanto outras

mais adiante

envaidecem cacetes suplicantes

E você ainda

tenta um negócio

em troca de sua boca

apinhada de murmúrios

com um pederasta

que na confusão

de luzes e faróis

desaparece deixando apenas

o cheiro do talco

E agora, José?

Cadê sua graça?

Seu jeans apertado

sua louca vontade

seu cinismo dosado

sua praça

sua pica de ouro

sua voz - e agora?

Em estado de

degradação pública

você espera, José

E se esconde de

policiais que investigam

seu corpo com olhos

de maledicências

Se você gritasse

Se você uivasse

Se você gemesse

Mas você não geme

Você é burro, José

De madrugada

sem ônibus que

o acolha e o leve

de volta à fantasia

do subúrbio imaculado

você caminha, José

Ora pisando em poças

de esperma despejado

ora esbarrando em

funcionários públicos

disfarçados pelo sono

você caminha, José

José, para onde?


(Edmilson BORRET)

Um comentário:

Guigos disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...(infinitas risadas) Só você mesmo pra escrever uma coisas dessas! Eu sei de que poema se trata...é do Carlos Drummond... realmente! Não vou comentar mais nada, deixar um mistério rodeando aqui!

abração Ed, continue assim. Esse blogg é o melhor que eu já vi!

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