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14.1.07

É isso aí... mais Ana Carolina...



Eu, particularmente, não gosto muito de versões de músicas estrangeiras. Salvo raras exceções (“Fascinação”, com a Elis e “Não chore mais”, com o Gil), na maioria das vezes, a versão fica muito aquém do original. Mas aqui, Ana Carolina conseguiu algo fenomenal: manter o mesmo clima da música de Damien Rice.
Nove em cada dez pessoas que ouvem e gostam do irlandês Damien Rice o conheceram através do filme Closer: Perto Demais. Quando “The Blower’s Daughter” começa a tocar, logo no início do filme, acompanhando os passos de Natalie Portman e Jude Law, a sensação transmitida pelo conjunto - música, clima, paisagem, personagens - pode ser resumida em uma palavra: encantador!
O filme é sexy e sofisticado, mas esses adjetivos são utilizados da maneira mais perigosa possível. Há mesmo uma turma enfurecida com o filme de Mike Nichols, especialmente as adolescentes que acreditam naquele grande amor para a vida toda (bom, não só as adolescentes, né?). Mas Closer é a mais pura verdade, sem floreios nem firulas e na sua pior faceta. O filme atesta o papel cada vez menor do afeto nas relações "amorosas" contemporâneas. E o faz com tamanha perspicácia. Em Closer as palavras são como tratores e as pessoas as usam para atropelar umas as outras. Não há sabão que limpe a boca suja de Closer. E a música encanta e comove mesmo...

The Blowers Daughter

(Damien Rice)


And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky


I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...


And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial


I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...


Did I say that I loathe you?

Did I say that I want to

Leave it all behind?


I can't take my mind of you

I can't take my mind of you

I can't take my mind of you

I can't take my mind of you

I can't take my mind of you

I can't take my mind...

My mind...my mind...

'Til I find somebody new


Mas, como eu falei, Ana Carolina consegue manter esse mesmo clima da canção original (e, por conseguinte, do filme também). Coisa que só pessoas iluminadas como ela são capazes de realizar. Pois o que você imagina que irá acontecer quando você se apaixonar? O que espera ganhar? Você quer que a pessoa torne-se parte de você? Que a companhia dela seja o bastante? E se, por acaso, um de vocês desistir ou mudar de opinião? Você estaria disposto a arrasar a pessoa que te arrastou para sua ilusão de como a felicidade deveria ser, apenas para tentar ver se você consegue ser só um pouquinho mais feliz com isso? Isso é correto? E quando contamos a verdade, somos mais heróicos do que quando mentimos, mesmo que a verdade vá arrasar vidas e corações para sempre? A resposta, se é que há uma, é que no momento em que pararmos de idealizar romances (que são uma distração, mas não são amor de verdade), poderemos realmente desfrutar de quem está ao nosso lado, realmente descobrir as pessoas com quem vivemos e, portanto, nossos relacionamentos...

E, para arrematar tudo isso, ainda tem a participação pra lá de especial de Seu Jorge. É bom demais!!!!





É Isso Aí
(Damien Rice / vers.: Ana Carolina)

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

3 comentários:

Daia disse...

Não conhecia essa versão, é bonita sim (apesar de eu continuar a preferir a original do Damien Rice). Quanto ao filme, concordo com vc, é ótimo!

LUCIEN PIRES disse...

EU também gosto muito de ANA CAROLINA, ela é ótima E GOSTO DA FORMA QUE VOCÊ ESCREVE .. POIS SOMOS POETAS...RSRSRS
O poeta mora no aeroporto e todos os dias viaja para distantes países.

O poeta mora na alameda, de onde não perde o fio da meada.

O poeta mora na artéria, e o seu coração pulsa sem parar.

O poeta mora no atalho, para chegar atrasado ao encontro com a morte.

O poeta mora na avenida, e nela se perde no meio do povo.

O poeta mora no beco, e por isso imagina todas as saídas.

O poeta mora no bosque, e nele encontra todos os que se perdem.

O poeta mora no cais, para despedir-se de todas as amadas.

O poeta mora na calçada, e analisa em paz o mundo veloz.

O poeta mora no caminho, e todo caminho leva a algum lugar.

O poeta mora no desvio, para reencaminhar todos os andarilhos.

O poeta mora na escadaria, para lavá-la todos os dias.

O poeta mora na esplanada, entre o tudo e o nada.

O poeta mora na estrada, e dá carona a todo aquele que não sabe aonde ir.

O poeta mora na fonte, bebendo a juventude.

O poeta mora no jardim, onde planta seus livros.

O poeta mora na ladeira, e por ela sobe e desce diariamente.

O poeta mora no lago, monstro que ninguém viu.

O poeta mora no largo, para alargar nossa existência.

O poeta mora no morro, para nele não morrer.

O poeta mora no parque, porque a vida é diversão.

O poeta mora na passagem, para que o passado possa passar.

O poeta mora no pátio, recreando e recriando a criação.

O poeta mora na ponte, sob e sobre.

O poeta mora na praça, e nunca tem pressa.

O poeta mora na praia, espumas flutuantes.

O poeta mora no recanto, cantando e recantando seu verso.

O poeta mora no retiro, retirando tudo o que há no nada.

O poeta mora no retorno, para o qual sempre se volta.

O poeta mora na rotatória, reinventando novas rodas.

O poeta mora na rua, onde vive a vida nua.

O poeta mora na travessa, poetizando os temas transversais.

O poeta mora no trevo, brincando com sua sorte.

O poeta mora na trincheira, declamando guerra às guerras.

O poeta mora no túnel, no fim do qual desenhou uma estrela.

O poeta mora no vale, onde, sorrindo, derrama todas as suas lágrimas.

Edmilson Borret disse...

Lindo, lindo lindo, Lucien! Adorei!!!!!
Bjs poéticos!

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