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29.1.11

Por que digo ao mundo que sou ateu – parte I

(Menino, Renato Lucas Pereira de Alencar, um dos cariocas que ajudou no voluntariado em prol da região serrana - Foto: Rafael Moraes - Ag. O Dia)



Lembro-me de uma conversa que travei algum tempo atrás com uma colega de trabalho, uma doçura de senhora chamada D. Beth. Gosto muito de conversar com ela. É uma daquelas senhorinhas que acho que todo mundo gostaria de ter como avó: amável, carinhosa, prestativa, sempre disposta ao diálogo e às novidades não obstante a idade avançada. D. Beth é católica praticante: vai à missa com frequência, comunga e se confessa, cumpre o jejum da quaresma, etc. Mas embora sendo ela uma católica praticante e eu um ateu convicto, mantemos uma relação ótima; conversamos muito sobre muitas coisas. E fui numa dessas conversas que ela me falou: “Você não é ateu. Você não tem nada de ateu. Você se preocupa com as pessoas, está sempre tentando ajudá-las, se comove fácil com as injustiças e as desumanidades: você tem um coração bom demais.” Eu agradeci os elogios, claro; mas contra-argumentei que o fato de sermos ateus não nos torna menos humanos nem humanitários. O “amar ao próximo como a si mesmo” nunca foi mérito apenas dos que se dizem cristãos ou tementes a um deus qualquer. Muito antes do advento da cristandade, a caridade já era uma característica inerente ao ser humano. Todas as civilizações antes da cultura judaico-cristã sempre tiveram valores de grande respeito e caridade pela condição humana. Velhos, doentes, crianças, mulheres; qual cultura alguma vez os deixou de proteger social e juridicamente? Da antiga cultura egípcia aos gregos e romanos, dos celtas aos indígenas sul-americanos do século XVI e às religiões animistas dos negros africanos; enfim, em todas as culturas ditas pagãs de que temos conhecimentos, sempre se valorizaram a preocupação com o próximo e a igualdade entre os homens. Assim sendo, não podemos dizer que a caridade tenha uma origem histórica e cultural definida porque o homem é bom. O homem sempre foi bom. O homem não passou a ser bom com o cristianismo. E isso é algo que precisa ficar bem claro, porque a religião levou a maioria das pessoas a pensar que os cristãos são os que mais contribuem para que a caridade exista (senão os únicos), e que os não-crentes são sempre egoístas, pessoas amargas sem preocupações com a luta e as dores dos menos afortunados.



Pensando nessa questão do não-egoísmo dos teístas (e, sobretudo, dos cristãos), não posso deixar de me reportar à tragédia recente que se abateu sobre os moradores da região serrana do Rio de Janeiro. Não é novidade alguma que em situações de tragédias como essa as pessoas demonstram todo seu potencial para a caridade, para praticar o amor ao próximo. Haja vista a quantidade de doações que foi recolhida, sem falar na mobilização de inúmeros voluntários que ajudaram no resgate das vítimas e na oferta de algum conforto nos abrigos para os quais elas foram levadas. Obviamente que não foram só os teístas que se empenharam na solidariedade durante esse episódio da tragédia na região serrana: muitos ateus, com toda certeza, fizeram sua parte. Como eu disse acima, o homem sempre foi bom... mesmo que, por vezes, ele não tenha muita consciência disso; mesmo que, por vezes, a demonstração dessa bondade necessite ser desencadeada por uma tragédia de tão enormes proporções. Porém (e sempre tem um “porém”) algumas atitudes e reações muito me espantaram durante a tragédia das chuvas. E esse espanto adveio justamente por conta de algumas declarações de teístas cristãos que sobreviveram à tragédia. Foi curioso observar como quase todos eles, em entrevistas aos meios de comunicação, lançavam pérolas do tipo: “Foi deus que livrou a mim a minha família”. Opa! Deus livrou esse sobrevivente e sua família da tragédia mas não livrou outros? Então vamos pensar! Pode ser que esses que não foram poupados fossem ateus, não fossem cristãos... Mas putz! Mais de 800 ateus só na região serrana do Rio de Janeiro??? Não, claro que não: dos que morreram, talvez 1% apenas fosse ateu, ou até menos. Pode ser também que os que morreram fossem pessoas más que mereciam esse castigo divino, como os habitantes de Pompéia subitamente cobertos pelas cinzas e lama do Vesúvio ou como os cananeus de Sodoma e Gomorra. Também não, claríssimo que não: várias crianças morreram e, com certeza, muita gente de boa índole. Como entender então que esse deus tão piedoso tenha poupado a vida a alguns e tenha deixado outros sucumbirem? Não lhes parece também um egoísmo nada caridoso quando um cristão diz “deus livrou a mim e a minha família” durante tragédias como essa?


Mas aí vêm os teólogos de plantão e os defensores da crença para dizer que deus tem seus desígnios e seus planos. Ora, ora... eu até tento (juro que tento) respeitar as crenças das pessoas, mas justificar a sobrevivência de alguns e a morte de tanto outros como desígnios de deus, como uma etapa de um plano divino maior!!!! Forte demais pra minha cabeça, na boa... Como podem os teístas afirmar isso? E pior, como podem vangloriar-se os sobreviventes por terem escapado segundo a vontade desse mesmo deus? Nem nas explicações mais estapafúrdias dos dispensensacionalistas poderíamos encontrar respostas para tantas vidas ceifadas assim de uma só vez. O quê??!! Um arrebatamento de 800 almas só ali na região serrana, é isso?? Que desígnios são esses, que plano é esse? Que deus tão bom é esse que “livra a mim e a minha família” mas não livra o vizinho e a família dele? Por essa lógica estúpida, esse seria um deus que escolhe, que seleciona, segundo seus desígnios e seu plano maravilhoso. Ora bolas! Seleção por seleção, prefiro acreditar naquela natural proposta por Darwin. Prefiro acreditar que uns respiram melhor e por mais tempo debaixo d’água ou soterrados na lama. Prefiro acreditar que uns têm uma maior resistência (natural ou adaptada) para suportar mais tempo sob escombros. Prefiro acreditar que uns tiveram aquele insigth, aquele instinto de sobrevivência que é marca do reino animal ao qual pertencemos, e se retiraram milésimos de segundos antes do barranco desmoronar, da pedra rolar, da onda gigante passar ou da casa cair... um milésimo de segundo pode fazer uma diferença e tanto: a diferença entre permanecer vivo e sucumbir!


Prefiro acreditar na seleção natural a acreditar na seleção desse deus dos desígnios e dos planos. Pelo menos, na seleção natural, estou livre de cabrestos, de convenções estúpidas e de temores. Pelo menos, na seleção natural, não entro em conluio com um deus impeodoso que gosta de brincar de batalha naval ou um jogo de tabuleiro qualquer e aponto meu dedo para qual dos meus semelhantes deve morrer ou não. Pelo menos, na seleção natural, não sou obrigado a viver toda uma vida de privações de prazeres e de joelhos dobrados para, num momento qualquer, ser arrancado a essa vida sem nenhuma explicação, como o vizinho e sua família. Não preciso ter vínculos com nenhuma realidade supra-humana, estou livre para decidir por mim mesmo, sem medo de estar indo contra ou esperando estar a favor de algum tipo de supra-consciência à qual se deva obediência cega. Posso reduzir minha crenças a um número limitado delas, focadas no “aqui e agora”. Posso me saber ligado aos meus semelhantes não por algum tipo de poder sobrenatural, mas simplesmente pelo fato de APENAS ser um ser humano convivendo entre os demais seres humanos e de acordo com as leis humanas e naturais.


Vivendo conforme as regras da seleção natural, eu não espero nenhuma recompensa por meus atos senão aquelas que os outros seres humanos possam me oferecer... se eu assim merecer. Posso cortar todos os excessos e enxergar a vida pela perspectiva humana, sem a necessidade de deificá-la ou deificar o que quer que seja. É claro que, vivendo conforme as regras da seleção natural, eu posso ter fé. Fé em mim mesmo e nos meus semelhantes. Mas não uma fé que me cega, pelo contrário. Uma fé que me faz abrir os olhos para o que está acontecendo a fim de que se tomem as medidas necessárias, sem acreditar numa outra justiça maior do que aquela que possa ser levada a cabo por mim mesmo ou pelos desígnios humanos. Medidas necessárias essas que não foram tomadas pelos governantes que sempre fecham os olhos para a pobreza dos que os elegem, pelos agentes gananciosos da especulação imobiliária que implantam mansões e jacuzzis onde deveria haver vegetação nativa e também, por que não, pelos mais desprovidos que insistem em morar em áreas de risco mesmo sabendo que são áreas de risco.


Ao sobrevivente que se regozijou em cadeia nacional na tevê por deus ter livrado a ele a sua família eu digo: não foram os desígnios divinos mas sim os desígnios humanos os responsáveis por toda essa tragédia. Não venha me dizer que você e sua família foram escolhidos por deus para sobreviver e mais de 800 pessoas foram escolhidas para morrer, senão eu vou dizer que esse seu deus é um crápula, um tirano, um sanguinário. Essas outras mais de 800 pessoas rezaram e acreditaram tanto quanto você. O que faz de você e sua família melhores que elas? Que egoísmo absurdo é esse que leva os teístas a acreditarem que eles possam ser poupados por seu deus e outros não numa situação de tragédia? Cadê a caridade cristã nesse tipo de pensamento? Ah sim... o plano divino.


Eu também, como aliás todo ser humano, tenho cá comigo os meus planos de vida. Planos mais imediatos, planos para o futuro. Mas em nenhum desses meus planos está incluído o sacrifício de mais de 800 vidas de uma só vez... É que meus planos são bem modestos, sabe?

8 comentários:

Wendell Menezes disse...

e aí, Eds?
Cara, muito boa a argumentação. Quase me convenceu a voltar a ser ateu. Lógica perfeita. E sem nenhuma modéstia devo dizer a é tão boa quanto a minha nos meus tempos de ateu. (Aos quinze anos eu era Ph.D. em argumentação ateísta, e nem sabia.)
Argumentação impecával. Curta, consisa e coesa. Sobretudo exaustiva e direta. Circula rapidamente todos os possibilidades e apresenta as implicações em cada uma. Realmente , grande Ed, seu texto acaba por fim com qualquer possibilidade lógica de um Deus judaico-cristão (deve ter percebido agora onde pretendo chegar). Nenhum católico pode apresentar qualquer argumento para derrubar sua tese. Qualquer um que tentasse estaria fadado à incoerência ou à contradição.

Pois bem, então porque eu não fiquei convencido a voltar a ser ateu? ...explicarei...

Ceta vez, em um tópico na ADV, nossa querida amiga Divina, em resposta a um comentário meu, disse que eu não tinha sido realmente ateu, pois um ateu de verdade não deixa de ser ateu. E de certa forma, assim como seu texto, ela tem razão. Um ateu não volta a acreditar em um Deus.
Então, como eu um ateu convicto e praticante, argumentador assíduo (imagina um adoloscente ateu)(é parecido com um adolescente que toca bateria no apartamento embaixo do seu, mas no lugar de bateria ponha ateísmo), voltei a acreditar em Deus?
Bem, analisando a sua argumentação temos que aceitar que do ponto de vista lógico é perfeita. Mas seus argumentos são direcionados a um deus cristão, um deus católico. Em suma um deus punidor.
Temos então dois pontos agora:
*lógica
*deus cristão (punidor)
Primeiramente devo ratificar a afirmação de Divina: um verdadeiro ateu não volta a acreditar em deus, mas devo acrescentar que um verdadeiro ateu não volta a acreditar em um deus católico. Esse deus cristão-católico-judaíco não há mais como eu acreditar. É um punhado de baboseiras, muito bem manipuladas para contralar as massas.
O segundo ponto a observar é a lógica, o uso do Lógos, a razão humana. Acreditar em Deus, não o deus cristão, este é baboseira, não pode ser decidido somente pelo uso da razão. Fosse o uso exclusivo da razão eu jamais tornaria a crê em um deus novamente, seja ele cristão ou não. A força existente sabe muito bem que nossa razão é limitada, propositadamente, e através dela não podemos chegar a seu entendimento. Por isso temos a fé para chegar em Deus e os sentimentos para chegar à fé. E esta força criadora, este Deus, pode apresentar-se de várias formas dentro da experiência de vida de cada um, cabe a cada um decidir se acredita ou não.

Então, Ed, o deus cristão não tem sentido algum, de fato. Mas a questão é que não há argumentação que impeça a existência de um outro Deus. Quanto ao "ploblema" do plano de Deus e de tanto sofrimento neste mundo digo que Deus criou o mundo sem minha ajuda, eu não conseguiria remontar uma pequena parte deste mesmo usasse todas as minhas forças, não poderia fazer nem mesmo um grãozinho de areia. Então se deus permite que 800 pessoas morram em desmoronamentos em uma localidade deste mundo, quem sou eu para julgar e dizer que isso tá errado?
Das regras do deus em que acredito? Da minha parte meu culto se resume somente em acreditar e agradecer, não acredito que qualquer caridade possa me trazer recompensa nem que deixar de fazer-las vá me condenar, por isso pra falar a verdade, como teísta, não estou preocupado com as vítimas desta ocorrência aí no rio. Não fui eu quem derrubou suas casas nem matei ninguém. No que depense de mim estavam todos vivos e curtindo uma praia em Miami. Mas eu não sou responsável por eles. Quanto a pólis e a cidadania já faço minha parte pagando imposto até na água que bêbo e não tenho como controlar os políticos para usarem bem nossos impostos. Esses homens sim, talvez tenham alguma coisa a pagar frente ao Deus que acredito. Talvez. Pois se eles usassem corretamente nossos impostos essa catrastrófe teria sido prevista e impedida, além de não haver ninguém morando em áreas de risco.
É isso.

Edmilson Borret disse...

Wendell, só há um pequeno probleminha na sua argumentação inicial, o que te faz partir de uma falsa premissa para rebater minha argumentação. Mas não fique triste, pois esse não é um erro só seu, mas de várias pessoas que me lêem ou me ouvem quando falo do meu ateísmo. O problema é que, em momento algum, eu estou preocupado em convencer ninguém a ser (ou voltar a ser ateu). Quero tão somente dizer por que sou ateu. E só.
Quanto ao fato de você dizer que foi ateu na adolescência e deixou de sê-lo, sinto-me tentado a concordar com a Divina. Por conta da minha experiência em lidar com adolescentes devido ao meu ofício de professor, sei que essa é uma fase da vida onde as experimentações existem. Algumas são assimiladas ao caráter e levadas vida afora; outras são abandonadas no momento mesmo que surgem outras experimentações mais atraentes ou "novidadeiras". Com isso não quero minimizar nem subestimar essa sua experimentação, até por que acredito (e muito) no protagonismo juvenil... rsrsrs
Outro ponto que chama atenção na sua argumentação é o fato de você dizer que me atenho a um deus católico (ou judaico-cristão). Isso não é verdade! A exemplificação com esse deus judaico-cristão fez-se apenas por conta da situação que usei para iniciar a discussão sobre a caridade, o que me fez me reportar a um episódio recente ocorrido aqui no Rio - onde prevalece a crença cristã (católica ou evangélica). Mas, como um bom ateu que sou (rsrsrs), desconfio e desacredito de qualquer deidade... e acho que deixei isso claro no texto também, não?
De qualquer maneira, como você deve ter observado, essa foi apenas a primeira parte de um texto a que ainda pretendo dar prosseguimento. Pode ter certeza que judeus, muçulmanos, hindus e outros bichos serão agraciados com minhas considerações no decorrer das postagens, ok?

Abração, meu querido!

jwcl, Jorge Willian disse...

Querido Edi, o legal deste texto- e de outros postados aqui no blog- é a polêmica sobre o tema e os argumentos de alguns amigos leitores (onde me incluo). Os argumentos podem ser falhos ou não, serem totalmente coerentes ou ilógicos, mas o que vale é o levantamento das questões e o esforço de cada um em tentar colaborar com o diálogo.
Na minha pequena colaboração sobre essa tua postagem e os comentários, gostaria de lembrar que Hobbes, ao contrário de ti, achava que o homem no seu estado natural era mau. Já Rosseuau, mais próximo do que você escreveu,achava que o homem era bom por natureza (o bom selvagem). Nenhum dos dois filósofos, entre outros, conseguiu em sua época ultrapassar o limite de uma argumentação pautada no natural. Esqueceram que o ser humano é também as suas relações sociais. Ateu bom ou mau, cristão bom ou mau são frutos de suas individualidades e de suas relações sociais e é claro,das definições de "bom" e "mau".
Os marxistas, mais preocupados com o conceito de relação e com o materialismo, concluiram que a religião servia para o controle social e facilitava a dominação (embora algumas revoluções tiveram como fonte energética as revoltas religiosas). Percebiam, porém, que esta, a religião, era uma necessidade histórica devida a falta de explicações científicas para diversos temas.
O perigo para os maus leitores do marxismo (aqueles que não compreendem a dialética e só buscam um tipo fechado de materialismo) é cair no cientificismo ou no racionalismo.
Creio que o debate acima, entre você e o Wendell, tende a um (i)racionalismo onde a fé ou lógica passam a ser os sinônimos de verdade.A fé para ele e a coerência dos argumentos para ti seriam os critérios da argumentação de cada um. Mas o debate sobre a fé ao ser pensado no limite da lógica, apesar de importante, deixa de levar em consideração alguns pontos:
. a fé pode ser argumentada? se o for, qual é a sua base? um texto sagrado? um sentimento? uma experiência/vivência?
. quais são os limites da ciência? é possível a ela tudo responder? seria ela oniciente e os cientistas um novo tipo de sacerdote?
. a racionalidade é realmente o que define o ser humano? o racionalismo cartesiano define mais o ser humano do que o conceito de trabalho marxiano ou a predestinação de Agostinho?
. Qual é o diálogo já existente entre a teologia (não disse Religião) e os cientistas (não dise a Ciência)? A teoria da relatividade aproximou ou afastou o seu autor de um conceito de deus?
. Qual é a leitura que se adota dos textos proféticos? Profetas, pastores, ovelhas, teólogos,cientistas, filósofos interpretam de formas diferenciadas um mesmo texto considerados sagrado por alguns.
Só mais um último ponto sobre o debate: dizer que um ateu ateu não muda de posição ou que um teísta convicto não abandona seu credo é mesmo que dizer que amor verdadeiro não acaba. Não é um argumento muito bom e, sim, uma camisa de força de um argumento mecânico sem diálogo com o mundo, sem relação dialógica, sem dialética.
Um abração e vê se bate pouco dessa vez rsrsrsrsrs

Anônimo disse...

de inicio apenas Parabéns pelo texto / argumentação!! ...e por fim, estou na expectativa do proximo.

abraço, meu qerido safadeeeeenhho EdMirçooooo!!!!

vou usar esse espaço aki pra mandar um beijooo pra minha minina (Meidy), eu sei q ela vai passar por akI!! ;)


Mr. Crosz (O Lindo)

Edmilson Borret disse...

Jorginho, meu querido
Não vou responder a todas as suas questões primeiro porque será enfadonho; segundo, porque vc já até pode adivinhar quais as minhas respostas, né? rsrs
Mas um questionamento seu em especial me chamou a atenção: "o racionalismo cartesiano define mais o ser humano do que o conceito de trabalho marxiano?"... Cara, o cartesiano eu não sei, mas o racionalismo não precisa necessariamente estar em pé de guerra como conceito de trabalho marxiano. (Aliás, que mania feia essa sua de querer colocar sempre as coisas obrigatoriamente numa oposição! Lembra do estético e do científico na postagem anterior? rsrsr)
Mas enfim, acho que o racionalismo segue pari passu com qualquer conceito marxista, não só o de trabalho. Eu sempre achei que os marxistas se baseassem no materialismo filosófico que nega a existência de qualquer ser sobrenatural ou de algo externo à natureza. A própria natureza já nos proporciona suas próprias explicações sobre a origem da vida e do universo.

A ciência demonstrou que a humanidade evoluiu (como as outras espécies) durante milhões de anos e que a própria vida evoluiu a partir da matéria inorgânica. Não pode existir o cérebro sem um sistema nervoso central, e não pode existir um sistema nervoso central sem um corpo material, sangue, ossos, músculos etc. Ao mesmo tempo, o corpo deve ser mantido com alimentos, que também procedem do ambiente material. Os recentes descobrimentos genéticos obtidos pelo projeto genoma humano trouxeram a prova indiscutível da visão materialista. A revelação da longa e complexa história do genoma, oculta durante tanto tempo, provocou discussões sobre a natureza da humanidade e sobre o processo de criação. Parece piada mas, em pleno século XXI, as idéias de Darwin ainda são desafiadas, por exemplo, pelo chamado movimento criacionista nos EUA, que tem a pretensão de impor aos alunos a idéia de que deus criou o mundo em seis dias, o homem do barro e a primeira mulher a partir de uma de suas costelas... (Pausa para mijar de rir... kkkkkkkkkkk)

Os últimos descobrimentos finalmente mostraram como o criacionismo é um absurdo. Destruíram a idéia de que as espécies foram criadas separadamente e de que o homem, com sua alma eterna, foi criado especialmente para cantar glórias ao Senhor. Ficou evidente que os seres humanos não são criação única. Os resultados do projeto genoma humano demonstram, de forma conclusiva, que compartilhamos os genes com outras espécies e que estes genes tão antigos são os que nos têm ajudado a ser o que somos. Os humanos compartilham genes com outras espécies que remontam às nebulosas do tempo. Na realidade, uma pequena parte desta herança genética comum pode remontar a organismos tão primitivos como a bactéria. Em muitos casos, os seres humanos têm exatamente os mesmos genes que os ratos, gatos, cães e, inclusive, a mosca do vinagre. Os cientistas descobriram que os seres humanos compartilham aproximadamente 200 genes com a bactéria. Desta forma, chegou-se à prova definitiva da evolução. E sem necessidade da intervenção divina.

Quanto à camisa de força de que vc fala aí, o Wendell sabe por que dei razão à Divina, é quase uma piadinha interna nossa lá na comunidade (lol)...

Em tempo: eu nunca disse que um ateu não abandona seu ateísmo nem que um teísta abandona sua crença, disse? Atenção à interpretação do texto, amigo!!!!! rsrsrsr

jwcl, Jorge Willian disse...

Caro irmãozinho, na verdade, embora eu ache que haja uma oposição entre o racionalismo e o materialismo eu não os estava pondo em oposição naquele momento. Apenas questionei qual seria o critério para se achar que um é mais correto do que o outro. O problema do racionalismo cartesiano é que com ele se pode achar que só com o uso da razão se pode provar algo. Foi desta forma que Decartes "provou" (sic) a existência de Deus e de seu "eu-pensante". Para o materialismo dialético o pensamento se relaciona com a vida/ com a existência do ser que pensa. Assim, a lógica coerente do pensamento decertiano não é o critério. Além disso, concordo na maior parte com você, mas se alguém insinua que um ateu não muda de visão (e isto está nos comentários) tenho que dizer que, além deste equívoco, a inversão do pensamento geraria outro equívoco. Mas, realmente, há aqueles que ainda tentam impor o criacionismo e tentam negar as evidências do pensamento de Darwin e da evolução deste mesmo pensamento a partir das pesquisas recentes. Acho que o teu embate é relevante e que a luta contra a imposição do criacionismo é de suma importância. Um abração e vê se coloca logo a parte 2, deixa de preguiça (rsrsrs).

FÁTIMA REGINA disse...

Olá Prof Edmilson!
Permita-me comentar seu texto...falarei das minhas convicções e das minhas angústias...
Sei que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal...entre o certo e o errado. Sei que ele foi criado à imagem e semelhança de um Deus maravilhoso! Compreendo e sinto que esse Deus é bom Pai...bom amigo...parceiro fiel na escritura da história da humanidade. Mas também entendo que Deus não é um ilusionista, nos privilegiando com inúmeros, extraordinários e contínuos milagres que “remendam” os nossos erros diários. Não nego o poder de Deus...não é isso...só acredito que Deus não tem que provar que é Deus para mim, nem para ninguém!
Deus não tem que consertar os nossos equívocos...isso é fato!!
Cada encosta que desliza e traz a destruição de vidas inocentes é resultado dos deslizes humanos cometidos em pequenas e grandes proporções no decorrer de um tempo cronológico que não perdoa. A falta de cuidado, a negligência humana está destruindo o equilíbrio da mãe Terra!! Todos esses flagelos são, nada mais, nada menos que o efeito do desmazelo do ser humano, praticado a partir do livre arbítrio de cada um.
Escolhas erradas...tristes consequências...
Somos livres...isso é fato...faz parte do projeto do Criador de todas as coisas. No entanto, não podemos confundir essa liberdade com a independência da vontade de quem nos criou. Acho que nos atrapalhamos na seleção dos caminhos e isso vem nos colocando em meio ao verdadeiro caos. A infelicidade humana não é projeto divino...é fruto da nossa teimosia em viver longe dos sonhos de Deus, em insistir fazer as coisas do nosso jeito...é consequência do grito de independência do que Ele quer para nossas vidas.
André Torres Queiruga nos fala sabiamente: ”Faz-se necessária uma inversão no modo de conceber e vivenciar a relação de Deus com o homem: levar a sério a absoluta primazia de Deus que nos criou e continua nos criando por amor, única e exclusivamente por amor”. Não é verdade, afirma Queiruga, que “'Deus esteja no céu e tu na terra. Deus está sempre aqui, entre nós: no homem e na mulher, na terra e na história”.
É nisso que eu acredito! Deus presente em mim, em você, em nós...presente no sorriso que eu deixo estampar em meus lábios para fazer o dia mais bonito...para aliviar as tensões que se fazem presentes no cotidiano da nossa peregrinação por este mundão.

Fica na paz!
Fátima Regina

Edmilson Borret disse...

Fátima Regina,
Desculpe-me a sinceridade, mas seu comentário (enquanto teísta) não traz nenhuma contribuição à discussão. Como todo teísta sem argumentos, vc vai falar do tal do livre arbítrio que nos teria sido dado por deusinho tão bondoso e piedoso no qual vcs (por temor ou ignorância) insistem em dizer que acreditam. Quanto aos motivos que vc levantou para a tragédia da região serrana, mais uma vez vc choveu no molhado, não disse novidade alguma. Se vc prestou bem atenção ao meu texto, eu já havia sinalizado que a culpa dos deslizamentos, enchentes e outras catástrofes está única e exclusivamente na ação dos homens.

De qualquer maneira, valeu por vc ter vindo ao meu blog. É sempre bom que um teísta saiba como nós ateus pensamos. Questão bastante justa de equilíbrio de forças, entende? Já que nós, ateus, somos a todo momento bombardeados por ideias teístas desde que nascemos.

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