Seguidores

11.1.07

Discurso: 100... Prática: 0



“Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras, quanta baixeza existe nos nobres de espírito, nem quanta bondade existe nos maus.”

(William Somerset Maugham)


Hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis, ambos significando representar ou fingir.



Na boa, estou cansado dessas pessoas com um discursozinho todo lindinho, arrumadinho, magnificamente libertário, politicamente correto... mas que, na prática, são uns escrotos reacionários do cacete.

" Ôôô , ôô
Gente estúpida

Ôôô , ôô

Gente hipócrita"

O que é mais foda é que parece que esses escrotos acabam acreditando em seus discursozinhos falsos. São seduzidos por suas próprias palavras, na mesma medida em que tentam seduzir seus interlocutores. São uma coisa e querem parecer outra. E se perdem de si mesmos...

"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara. "


Há uma dissociação enorme entre o ser e o parecer. Jean-Jacques Rousseau teceu essa argumentação no Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, no início da segunda metade do século XVIII. É essa dissociação entre o ser e o parecer que permitiu ao filósofo um olhar crítico sobre a modernidade no seu alvorecer. Explicando um pouco: se tivermos como referência as sociedades tradicionais e a própria cultura ocidental até o início da modernidade, percebemos que as pessoas tinham lugares muito definidos na cadeia do ser; o que elas deveriam fazer e, inclusive, falar, estava dado. A dissociação entre o que se é e o que se aparenta ser simplesmente não se punha, não tinha sentido e, com ela, também não tinha sentido a fissura entre o dizer e o fazer e a fissura entre o ser e o fazer. Essa fissura, no entender de Rousseau, só fez alargar-se. Talvez tenhamos chegado ao seu ponto culminante, pois aquilo que algumas pessoas são - quando sabem quem são - escondem, diminuem, espezinham; só é permitida a emergência do parecer, das máscaras, daquilo que Jung chama de persona. As máscaras lhes permitem realizar no social um pequeno fragmento do seu ser - o restante permanece atrofiado, reprimido. Não sei se odeio ou se, na verdade, tenho pena desses falsários das palavras e das relações...


Histoire de faussaires

Se découpant sur champ d'azur
La ferme était fausse bien sûr,
Et le chaume servant de toit
Synthétique comme il se doit.

Au bout d'une allée de faux buis,
On apercevait un faux puits
Du fond duquel la vérité
N'avait jamais dû remonter.

Et la maîtresse de céans
Dans un habit, ma foi, seyant
De fermière de comédie
A ma rencontre descendit,
Et mon petit bouquet, soudain,
Parut terne dans ce jardin
Près des massifs de fausses fleurs
Offrant les plus vives couleurs.

Ayant foulé le faux gazon,
Je la suivis dans la maison
Où brillait sans se consumer
Un genre de feu sans fumée.

Face au faux buffet Henri deux,
Alignés sur les rayons de
La bibliothèque en faux bois,
Faux bouquins achetés au poids.

Faux Aubusson, fausses armures,
Faux tableaux de maîtres au mur,
Fausses perles et faux bijoux
Faux grains de beauté sur les joues,
Faux ongles au bout des menottes,
Piano jouant des fausses notes
Avec des touches ne devant
Pas leur ivoire aux éléphants.

Aux lueurs des fausses chandelles
Enlevant ses fausses dentelles,
Elle a dit, mais ce n'était pas
Sûr, tu es mon premier faux pas.

Fausse vierge, fausse pudeur,
Fausse fièvre, simulateurs,
Ces anges artificiels
Venus d'un faux septième ciel.

La seule chose un peu sincère
Dans cette histoire de faussaire
Et contre laquelle il ne faut
Peut-être pas s'inscrire en faux,
C'est mon penchant pour elle et mon
Gros point du côté du poumon
Quand amoureuse elle tomba
D'un vrai marquis de Carabas.

En l'occurrence Cupidon
Se conduisit en faux-jeton,
En véritable faux témoin,
Et Vénus aussi, néanmoins
Ce serait sans doute mentir
Par omission de ne pas dire
Que je leur dois quand même une heure
Authentique de vrai bonheur.

(Georges Brassens)

3 comentários:

Celeste disse...

Muito bem lembrado o que o filosofo falou a tanto tempo atraz.E esse tipo de pessoa continua existindo e vai sempre existir.As vezes tenho até medo de me tornar assim tambem.
Gostei muito.
Beijos.

Daia disse...

Cara, aconteceu comigo essa semana! Um pessoal amigo meu, que tem um discurso super aberto, me saiu com um papo que a democracia na europa já deu o que tinha que dar, etc... Acho que eram as últimas pessoas que eu imaginava dizer uma coisa dessas. Me deu até uma aflição...

Divina disse...

Ed, meu querido amigo. Você me fez lembrar uma conversa com uma amiga na faculdade. A gente queria fazer um trabalho sobre o tema "Essência e aparência" (a idéia foi dela), mas vimos que o assunto é amplo demais, precisaríamos de uns dez doutorados pra conseguir coragem pra dissertar sobre isso.
Quem não usa máscara, meu lindo? Às vezes sinto a minha tão grudada que para arrancá-la me dispo do meu próprio rosto...
C'est la vie!

Related Posts with Thumbnails