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17.12.06

Enquanto isso, lá em Kamelot...



CANTO DE SIR LANCELOT

Essa ferida é antiga, meu rei, e não se fecha jamais - geme Lancelot a Artur, este possuidor do bem que aquele deseja. Eu sou Lancelot: louco, errante... apaixonado. Sem armadura de prata, sem cavalo que galope por prados celtas, sem espada, aio ou escudeiro, mas Lancelot. Desusadamente Lancelot. No que somos iguais? Na violência de querer muito e na violência maior de não querer tanto. Também luto comigo mesmo, com minha armadura vazia e, ao fim da luta, também uma espada me atravessa as entranhas. Por crueldade ou zelo, são as entranhas e não o coração que a espada atinge. Seria tão mais fácil para cavalheiro e armadura se o coração fosse arrancado... Ambos voltariam a ser uno. Mas é a armadura (veja bem, a armadura: vazia, já que sonho do cavaleiro) que não quer assim: consome-te e cala-te, diz ela; além do mais, que dor de espada nas entranhas pode ser mais dor que a dor atual? O cavaleiro adormece, vencido, e sonha. Por que descuidada frincha do meu elmo penetrou o lampejo do olhar de Guinevere?
Ah, meu caro Lancelot! Não foste o único! Reconheço-te agora em mim. O eterno retorno escolheu-me para sustentar teu canto. A tarefa dos escolhidos da História: amar, amar desesperadamente. Uns amam uma guerra, uma luta, uma conquista; outros, uma causa, uma idéia, uma verdade. Tu amaste a rainha, mas amaste também a amizade ao rei. Eu amo desesperadamente quem agora vê em mim um amigo, mas amo também essa amizade. Que fizeste, Lancelot? Que faço?

(Edmilson BORRET)




UN DÉMON BÉNI M'A CHARMÉ

À qui sont ces yeux perçants qui m’ont dénudé
Depuis l’instant même que l’inepte chasseur
S’est laissé prendre par le renard argenté
Dans les embûches des sous-entendus du coeur ?

À qui est cette âme, Seigneur, plutôt damnée
Qui a sans pitié devasté la mienne d’un coup
Jusqu’á encourir pour moi la sainte beauté
Satanée et si démesurée propre aux fous ?

Où est cette main qui tire à son gré les ficelles
Et qui se moque du pauvre et faible pantin,
Burlesque, à tenter en vain de fuir ses appels ?

Or, je ne suis donc que ma contrefaçon,
De me faire entraîner, certes, dès le matin
Par ce démon portant pourtant Dieu en son nom !

(Edmilson BORRET)

2 comentários:

sylvie disse...

Très beau poème edmilson j'admire la personne que tu peux être pour avoir de telle imagiantion je t'envi bcp d'être ce que tu es car moi j'ai la passion de lire les poèmes mais j'ai pas cette facultée de les écrires.Dommage que je ne peux pas lire tout ce qu'il y a sur ton blog à cause de la langue.Bisous

lucia disse...

Adoro crônicas! E acho vocÊ um cronista de primeira! Melhor do que muitos que escrevem por aí na grande iumprensa! Beijos!

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